Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de setembro de 2026
O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta sexta-feira (18) a taxa básica de juros de 1% para 1,25% ao ano, levando o custo dos empréstimos ao maior nível em 31 anos. A decisão foi tomada por 7 votos a 2 durante reunião de política monetária realizada entre quinta-feira (17) e sexta-feira (18).
Os votos contrários foram dos integrantes do conselho Toichiro Asada e Ayano Sato, que defenderam a manutenção da taxa em 1%. A elevação foi a primeira realizada pelo banco central japonês em três meses e dá continuidade ao processo de retirada das medidas de estímulo monetário adotadas pelo país durante décadas.
A decisão ocorre em um momento de pressão sobre os preços no Japão. Segundo o BoJ, embora a economia e os preços estejam evoluindo de acordo com o cenário previsto pela autoridade monetária, existe o risco de que a inflação subjacente se afaste para cima da meta de 2%. O banco afirmou que continuará acompanhando a evolução dos preços, da atividade econômica e das condições financeiras.
O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, afirmou que a inflação subjacente está se aproximando de 2% e indicou uma mudança na prioridade da política monetária. Segundo ele, o foco passou da necessidade de estimular os preços para evitar que a inflação fique acima da meta por um período prolongado.
O aumento também representa mais um passo no processo de normalização da política monetária japonesa. Durante anos, o país manteve juros próximos de zero ou abaixo desse nível como parte dos esforços para combater a deflação e estimular o consumo e os investimentos. A mudança de direção do BoJ começou nos últimos anos, à medida que a inflação e os salários passaram a apresentar maior pressão.
A taxa de 1,25% ainda permanece abaixo dos juros praticados por outros grandes bancos centrais, mas representa uma mudança importante para o mercado financeiro internacional devido ao papel do iene como moeda utilizada em operações de financiamento. A elevação dos custos de captação no Japão pode alterar as condições para investidores que tomam recursos em iene e aplicam em ativos de outros países.
Apesar da alta dos juros, o iene não se valorizou imediatamente após o anúncio. Segundo a Reuters, investidores concentraram a atenção nos dois votos contrários à decisão e na ausência de uma indicação mais clara sobre a velocidade de futuras altas. A moeda chegou a se desvalorizar após o anúncio.
O mercado também acompanha a evolução dos juros dos títulos públicos japoneses. O rendimento dos títulos de dez anos do Japão chegou a atingir 3% no início de setembro, nível não registrado desde 1996, em meio às expectativas de mudanças na política monetária e às discussões sobre a situação fiscal do país.
A decisão desta sexta-feira (18) ocorreu em uma reunião de dois dias do conselho de política monetária. O calendário oficial do BoJ prevê novas reuniões em outubro, dezembro e janeiro de 2027.