Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026

Banco Central mandou 18 alertas ao Banco Master

O Banco Master iniciou suas operações em 2019, na gestão de Roberto Campos Neto à frente da presidência do Banco Central (BC), cargo que ocupou até dezembro de 2024. A instituição solicitava autorização para atuar no sistema financeiro desde 2017, sem sucesso durante a presidência de Ilan Goldfajn. A licença foi concedida já na administração seguinte, tendo como controlador o banqueiro Daniel Vorcaro.

À época, a autorização chamou atenção porque o BC exige a comprovação de reputação ilibada dos controladores de instituições financeiras. Vorcaro havia atuado anteriormente no mercado imobiliário em Minas Gerais e esteve envolvido em disputas com a Prefeitura de Belo Horizonte, além de ter sido citado em investigações relacionadas a institutos de pensão públicos entre 2010 e 2017.

Após obter a licença, o Banco Master passou a captar recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas acima da média do mercado. Em 2019, primeiro ano de operação, o volume de CDBs somava R$ 2,5 bilhões. Em 2024, o montante chegou a R$ 40 bilhões, com remuneração de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Ao longo desse período, o Banco Central acompanhou a evolução da instituição e identificou inconsistências entre as provisões e as obrigações financeiras, além de falhas nos procedimentos de gestão. Entre 2019 e 2024, o BC enviou 18 ofícios ao Banco Master solicitando ajustes e adequação às normas prudenciais, conforme revelou reportagem da revista piauí. As correções não foram implementadas.

Daniel Vorcaro manteve ao menos 38 reuniões com diretores do Banco Central, incluindo um encontro com Roberto Campos Neto. Nessas reuniões, foram discutidas demandas do banco e operações com precatórios, que integravam o balanço da instituição.

Mesmo diante dos alertas, o Banco Master ampliou suas operações e realizou aquisições. Em 2024, comprou o Voiter, o Letsbank e o Will Bank. Após a incorporação, essas instituições passaram a emitir CDBs com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). À época, o então diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, afirmou que o crescimento do banco era alvo de questionamentos por parte de concorrentes.

Em março de 2024, o Banco Central avaliou a adoção de medidas mais restritivas diante de problemas de liquidez do Master, mas não houve intervenção imediata. Em novembro, um documento interno do BC apontou a existência de irregularidades, incluindo descumprimento de normas e fornecimento de informações incorretas.

Campos Neto convocou Vorcaro para uma reunião em Brasília e concedeu um prazo de quatro meses para que o banco ajustasse sua estrutura financeira, sob risco de liquidação. Naquele momento, o Banco Master não dispunha de recursos para honrar cerca de R$ 50 bilhões em títulos, sendo 30 bilhões em CDBs e aproximadamente 20 bilhões em CDIs, dos quais 12 bilhões venceriam ao longo de 2025.

Pouco depois, Campos Neto deixou o comando do Banco Central e passou a atuar como executivo do Nubank, instituição que responde a uma ação judicial relacionada à distribuição de CDBs do Banco Master. Desde 2023, o Fundo Garantidor de Créditos vinha alertando o Banco Central sobre os riscos da instituição. Representantes do FGC realizaram ao menos três reuniões com a presidência e com áreas técnicas do BC para tratar do tema. Segundo técnicos do fundo, os riscos foram apresentados de forma reiterada.

No final do ano passado, Daniel Vorcaro foi preso. As investigações seguem em andamento e envolvem agentes públicos e privados. O caso resultou em prejuízos a mais de 1 milhão de investidores e permanece sob apuração das autoridades.

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Os custos da quebra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, superam os R$ 50 bilhões até o momento, segundo dados divulgados
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