Segunda-feira, 30 de março de 2026

Banco de Brasília encontrou um cliente de 124 anos de idade em créditos do Master

Um relatório de auditoria interna produzido pelo Banco de Brasília (BRB) já havia detectado, em 4 de abril de 2025, diversos indícios de que as carteiras de crédito consignado compradas do Banco Master eram falsas. Ainda assim, o BRB continuou comprando essas carteiras até o mês de maio.

Procurado, o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa afirmou que apenas tomou conhecimento desse relatório no fim de maio e enviou as informações ao Banco Central (BC) para verificação das irregularidades.

Na quinta-feira (26), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que em janeiro de 2025 a venda de carteiras já havia despertado a atenção da diretoria de fiscalização e, em fevereiro, foi constituído um grupo para começar a analisá-las.

Dados falsos

Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, chamou a atenção dos auditores que a base de dados entregue pelo Master ao BRB consistia em uma simples planilha com nomes, CPFs e dados dos contratantes dos créditos, completamente vulnerável a manipulações.

Ao verificar os dados, o relatório indicou que as planilhas estavam preenchidas com emails falsos e data de nascimento fictícia, de 1.º de janeiro de 1901, o que significaria que o contratante do crédito consignado teria 124 anos.

“Preenchimento de dados inverídicos, realizados para evitar campos em branco, incluindo inserções manuais como a data de nascimento em 01 de janeiro de 1901 ou o endereço de email fictício ‘naotem@hotmail.com’. Este procedimento compromete a integridade e precisão dos dados coletados”, diz o relatório.

Os auditores do BRB procuraram o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para realizar um trabalho de checagem nos dados dos créditos consignados. Quando o Serpro verificou os CPFs da base de dados, descobriu que muitos deles não correspondiam a nenhum contrato de crédito consignado existente, o que reforçou o indício de falsidade.

Um último fator de risco detectado no relatório foi a existência de uma “alta incidência de reclamações” dos clientes que apareciam na base de dados de créditos consignados e que diziam nunca terem contratado o produto.

Esse relatório foi entregue ao comitê de auditoria do BRB, à época presidido por Marcelo Talarico, considerado homem de confiança de Paulo Henrique Costa.

De acordo com integrantes do banco, o relatório foi encaminhado apenas à presidência e nunca foi submetido ao conselho de administração do BRB. O relatório também não foi enviado aos órgãos de investigação na época. Ele foi entregue à Polícia Federal apenas no final do ano passado, após a deflagração da Operação Compliance Zero.

Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa disse que, “ao tomar conhecimento da existência das dúvidas sobre a integridade dessas carteiras, o ex-presidente Paulo Henrique Costa deu conhecimento ao Banco Central em 25/05/2025, exigiu a ampliação das verificações nessas carteiras, a contratação de uma auditoria independente, a apresentação de garantias adicionais pelo Banco Master e a substituição dessas carteiras”. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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