Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
O banco Master vai se firmando como um dos grandes imbróglios da República. Em algum momento a instituição e seu proprietário, Daniel Vorcaro, eram celebrados por muitos figurões da República, e pelo mercado. Vorcaro era um mágico, capaz de valorizar todo ativo patrimonial que tocava, e de produzir números impressionantes que resultavam do seu talento criador.
Vorcaro era a estrela da hora, que em pouco tempo alavancara o banco a uma condição invejável e única, e que brilhava em recepções e festas, dignas da ascensão meteórica, e da capacidade de multiplicar os indicadores positivos que o mercado gosta de exaltar.
Como em tantas outras vezes, a realidade não era tão reluzente quanto aparentava ou fazia parecer, à custa de todos os artifícios, até os honestos. Atrás da vistosa presença de todos os aparatos que agradam os corações moles, e os miolos acríticos e igualmente moles, frequentados por políticos, ministros, e celebridades de todos os calibres, estava uma gestão aventureira.
Fiquemos num só caso, a remuneração que o Master pagava aos seus investidores, aqueles que compravam seus papéis e certificados: 140% ao ano. Uma remuneração dessas – o mercado costuma pagar em torno de 100% -, deixa os que dispõem de dinheiro para investir com água na boca, aturdidos. Principalmente se o dinheiro não lhes pertence, como no caso de fundos públicos.
Neste último caso, se der certo os gestores posam como ultra competentes, aqueles que enxergam as melhores oportunidades, e que são, é claro, as mais rentáveis. E se der errado, bem, dizem que investir no mercado sempre contém um grau de risco.
Em termos. É que manda a sensatez, manda a norma antiga, geral e inarredável, que junto com a melhor taxa se observe a liquidez, isto é, a segurança de quem, no caso de reaver a aplicação, mantenha provisionados os recursos para honrá-la integralmente. Olhar só a taxa aumenta enormemente as chances de prejuízo. Isso, no mercado, é intuitivo, ninguém ignora.
Mas no caso, ninguém é apenas um modo de dizer. Sempre existem aqueles que dispõem de dinheiro próprio ou – e principalmente – dos outros para aplicar, é tentado pelo diabo da ganância a fazer o jogo do contente: se der certo vou ganhar muito mais.
É no vasto mundo da ganância que atuam operadores como Vorcaro, vendendo-se como alquimistas da riqueza, que sabem o pulo do gato, o que atalham os caminhos para se chegar ao fim do arco-íris, onde está o pote do tesouro.
Há outros que entram porque recebem – do investidor que tem todos os faros para o lucro – incentivos que nada tem a ver com a operação em si. Uma viagem, um mimo, um contrato de serviços (principalmente na advocacia), uma recepção no iate, camarotes em shows, “emolumentos” extras ao papel negociado.
A diferença neste caso do Master e de Vorcaro, é a incrível teia de relações do banqueiro, no mundo da política, do judiciário, do TCU(?), da imprensa, e desse ambiente meio tóxico dos influencers das redes sociais: saíram em defesa do banco, após a liquidação, nada menos do que 46 desses tipos pouco escrupulosos, que criam narrativas de toda ordem e natureza, inclusive a soldo.
Tito Guarniere (titoguarniere@terra.com.br)