Terça-feira, 24 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de março de 2026
A Controladoria-Geral da União (CGU) deu continuidade à investigação contra os dois servidores do Banco Central (BC) suspeitos de favorecer o Banco Master e abriu o processo que pode resultar na expulsão dos funcionários de alta graduação do órgão. A medida representa um novo desdobramento administrativo após o avanço das apurações conduzidas por diferentes instâncias.
O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi aberto na última sexta-feira (20) e tem prazo de 60 dias para ser concluído. Durante esse período, deverão ser analisados os elementos já reunidos e eventuais novas informações relacionadas à conduta dos investigados, seguindo os trâmites legais previstos para esse tipo de procedimento.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana foram afastados do Banco Central por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Eles são suspeitos de atuarem como “consultores informais” do ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Antes disso, ambos já haviam deixado seus cargos por decisão administrativa interna do próprio BC, no contexto de uma sindicância instaurada para apurar possíveis irregularidades.
Os achados da autarquia foram posteriormente encaminhados à PF, o que contribuiu para o avanço das investigações e resultou na terceira fase da Operação Compliance Zero. A partir da deflagração dessa etapa da operação, o Banco Central também decidiu encaminhar o processo à CGU, órgão responsável por conduzir a apuração na esfera administrativa em relação aos servidores da cúpula da instituição.
Parte das irregularidades atribuídas a Souza teriam sido cometidas durante sua gestão como diretor de Fiscalização do órgão, cargo que ocupou entre 2017 e 2023. Na ocasião em que foi afastado, ele exercia a função de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, sendo diretamente responsável pelo acompanhamento do Banco Master. Já Belline Santana ocupava a chefia da área, o que a colocava em posição de liderança dentro da estrutura envolvida na supervisão.
Os processos instaurados na CGU ficarão sob responsabilidade dos auditores federais de finanças e controle Derlan Araújo, Karin Webster e Guilherme de Sena, com presidência do primeiro. Caberá a eles conduzir a análise dos fatos, garantir o cumprimento dos prazos e assegurar o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Procuradas, as defesas de Souza e Santana afirmaram que aguardam a manifestação da CGU para a abertura do prazo de defesa. Até o momento, não houve detalhamento adicional por parte dos representantes legais sobre as estratégias que serão adotadas ao longo do processo. (Com informações do jornal O Globo)