Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de janeiro de 2026
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nessa quinta-feira (15) o sigilo da decisão que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada na quarta (14), que investiga fraudes financeiras do Banco Master.
De acordo com o documento, as investigações da Polícia Federal apontam que o grupo investigado se aproveitou, de forma sistemática, “de vulnerabilidades do mercado de capitais” para realizar fraudes, utilizando fundos de investimento e elos societários, familiares ou funcionais.
Para a PF, há indícios de que o grupo investigado, formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao Master, teria cometido, pelo menos, cinco crimes:
1. organização criminosa
2. gestão fraudulenta de instituição financeira
3. induzimento ou manutenção em erro de investidor
4. uso de informação privilegiada e manipulação de mercado
5. lavagem de dinheiro
Os investigadores identificaram operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de indivíduos com ligações societárias ou familiares com o Banco Master. O esquema teria contado com laranjas e sócios ocultos.
As investigações da Polícia Federal revelaram um esquema onde empresas com capital social irrelevante cediam direitos creditórios de valores milionários para fundos de investimento ligados ao Banco Master.
A análise apontou movimentações financeiras atípicas, como o repasse de R$ 9 milhões feito por um intermediário a Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Bueno Vorcaro, sócio-administrador da instituição. Para as autoridades, os fatos indicam fortes evidências de desvio de recursos e representam um risco ao sistema financeiro nacional.
Além disso, relatórios de inteligência da PF detalham que o Banco Master teria direcionado uma fatia expressiva dos recursos captados no mercado — via emissão de CDBs — para fundos de investimento nos quais a própria instituição figurava como cotista única.
Segundo a apuração, esses fundos eram usados para a compra de Notas Comerciais (NCs) e direitos creditórios de empresas que possuíam vínculos societários ou relações de parentesco com os sócios do banco.
Uma das situações que chamou a atenção da Polícia Federal foi a da Clínica Mais Médicos, que captou milhões em notas comerciais sem garantias e com capital social zero.
Para os investigadores, a presidente dessa empresa, Valdenice Pantaleão, era uma “laranja” que recebia auxílio emergencial. Ela tem como procurador Fernando Alves Vieira, que, de acordo com as apurações, possui vínculos com familiares de sócios do Banco Master.
A Clínica Mais Médicos, conforme as investigações, teria emitido R$ 361 milhões em notas comerciais “sem quaisquer garantias, sendo que seu capital social integralizado era zero e sua receita operacional bruta anual de R$ 54 mil”.
Sócio oculto
O documento também cita o empresário Nelson Tanure, que, segundo as investigações, seria um sócio oculto do Banco Master. O investidor foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero nessa quarta-feira (14). Ele teria exercido, no esquema, “influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas”. Tanure teve bens bloqueados por ordem judicial. As informações são do g1