Quinta-feira, 02 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de abril de 2026
Investigadores envolvidos nas tratativas de colaboração premiada do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, avaliam que os primeiros anexos do acordo devem ser apresentados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) no prazo de até duas semanas. O banqueiro está preso na Superintendência da PF, em Brasília, onde mantém reuniões frequentes com seus advogados para discutir o conteúdo dos depoimentos.
O prazo até o fim da primeira quinzena do mês é considerado adequado por autoridades que acompanham o caso, embora não exista previsão legal específica que determine o tempo para a formalização dos anexos após o início das negociações.
A intenção de firmar acordo de delação veio a público em 19 de março, após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão de Vorcaro. No mesmo dia, por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, o empresário foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a carceragem da PF, onde há maior facilidade de acesso por parte da defesa.
A mudança de advogados também foi determinante para o avanço das negociações. O criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu a defesa de Vorcaro e passou a conduzir as tratativas. Ele já atuou em acordos de colaboração de grande repercussão no país.
Nesta fase inicial, o empresário deve apresentar um relato preliminar com os fatos que pretende detalhar, além de indicar possíveis envolvidos. Em seguida, será necessário aprofundar as informações e apresentar elementos que sustentem as declarações. Esse estágio é considerado decisivo para a continuidade ou não do acordo.
Para avançar, a colaboração precisa trazer informações inéditas ou esclarecer pontos ainda obscuros das investigações em curso. Os investigadores já analisam um volume significativo de dados apreendidos, incluindo arquivos extraídos de nove celulares ligados ao empresário, com cerca de oito mil registros.
Vorcaro é suspeito de liderar uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras e intimidação de adversários. A posição de destaque atribuída a ele eleva o grau de exigência sobre o conteúdo da eventual delação, que deverá apresentar provas consistentes e detalhamento das condutas.
A validação do acordo depende da utilidade das informações prestadas e, posteriormente, de homologação pelo STF. A legislação exige que a colaboração resulte em avanços concretos, como a identificação de outros participantes, a descrição da estrutura do grupo e o rastreamento de recursos.
Cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público verificar a veracidade das declarações. A palavra do colaborador, por si só, não é suficiente para embasar acusações, sendo necessária a confirmação por outros elementos de prova. Caso sejam constatadas omissões ou informações falsas, os benefícios podem ser revogados.
Nos bastidores, o avanço das negociações também enfrenta desafios. Há divergências entre investigadores sobre o alcance das apurações e o peso de diferentes linhas investigativas. A eventual citação de autoridades com foro privilegiado é vista como um fator sensível, que pode influenciar o andamento do acordo.
(Com O Globo)