Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de maio de 2026
O Banco Vermelho é muito mais do que um símbolo visual. Ele é um alerta permanente. Um grito silencioso contra a violência que continua destruindo vidas, famílias e sonhos todos os dias. Em um momento em que o feminicídio avança de forma assustadora no Rio Grande do Sul, iniciativas como essa se tornam necessárias, urgentes e humanas.
A inauguração do Banco Vermelho no Educandário São João Batista carrega um significado ainda mais profundo. Minha relação com esta instituição nasceu há muitos anos, muito antes da vida pública. Como madrinha do Educandário, acompanho de perto o trabalho extraordinário realizado com crianças, jovens e famílias que encontram ali acolhimento, dignidade e cuidado verdadeiro. Sempre estive ao lado das mães atípicas, ouvindo suas dores, acompanhando suas lutas e defendendo suas necessidades.
Por isso, escolher o Educandário para receber este símbolo foi uma decisão carregada de propósito. O Banco Vermelho precisava estar em um lugar onde a vida é valorizada, onde existe amor ao próximo e compromisso humano. Porque combater a violência contra a mulher também passa por fortalecer ambientes de proteção, acolhimento e consciência social.
O vermelho do banco representa o sangue derramado pelas vítimas do feminicídio. Representa mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência. Representa filhos que perderam suas mães, famílias destruídas e futuros roubados. Mas ele representa também o vazio. O vazio na cadeira da mesa de jantar. O vazio no abraço que nunca mais acontecerá. O vazio deixado por mulheres que deveriam estar vivas.
E infelizmente essa realidade está cada vez mais próxima de todos nós. Somente em 2026, o Rio Grande do Sul já registra dezenas de mulheres assassinadas simplesmente por serem mulheres. Não são estatísticas frias. São histórias interrompidas pela violência.
O Banco Vermelho existe justamente para impedir que a sociedade se acostume com essa tragédia. Ele obriga a reflexão. Faz as pessoas pararem por alguns segundos para enxergar uma realidade que muitas vezes acontece dentro de casa, escondida atrás do silêncio e do medo.
Porque a violência não começa apenas na agressão física. Ela começa no controle, na humilhação, na ameaça, na chantagem emocional e no isolamento. Muitas mulheres vivem diariamente relacionamentos abusivos sem conseguir pedir ajuda.
Por isso, informar também salva vidas. Em Porto Alegre, já é lei uma iniciativa do nosso mandato que obriga a divulgação do Ligue 180 em espaços públicos e estabelecimentos da Capital. O acesso à informação pode ser decisivo para que uma mulher encontre coragem para denunciar e romper o ciclo da violência.
Nenhuma mulher pode se sentir sozinha. E ninguém pode se omitir diante da violência.
Que o Banco Vermelho seja mais do que um símbolo. Que ele seja um compromisso coletivo com a vida, com a proteção das mulheres e com a construção de uma sociedade que não aceite mais o silêncio diante da violência.

* Vera Armando – jornalista e vereadora de Porto Alegre (@veraarmando.rs)