Terça-feira, 16 de junho de 2026

Bancos lançam contas fora do País em nova ofensiva para atrair clientes brasileiros

Depois de reforçarem suas estruturas fora do País, bancos brasileiros lançam mão de nova ofensiva para atrair recursos de brasileiros e latinos endinheirados – o cenário de queda de juros na região deve contribuir para uma quebra das fronteiras nos investimentos. Enquanto BTG Pactual e Bradesco preparam o lançamento de contas globais nos próximos meses, o rival Itaú Unibanco, que preferiu o caminho inorgânico, aguarda o aval do Banco Central (BC) para colocar os pés na americana Avenue. Por sua vez, o mineiro Inter, após duas aquisições nos Estados Unidos, decidiu começar o negócio da sua corretora do zero no País.

Diferentes estratégias têm em comum o mesmo alvo: preparar o terreno no exterior, em especial, nos EUA, para receber recursos que podem migrar para fora do País em busca de diversificação da carteira de investimentos. A diferença agora é que a mira não está somente nos super-ricos, mas também na ponta do varejo com fôlego para expor um pedacinho do seu portfólio no exterior, fora a ambição de atrair também recursos de investidores da América Latina. Em uma disputa mais difícil com os pesos-pesados de Wall Street, os planos visam até mesmo os americanos.

Na primeira metade do ano, uma mostra de movimento de migração internacional foi sentida após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, com a guinada à esquerda na América Latina, e ainda o dólar abaixo de R$ 5,00. Teve banco brasileiro que chegou a captar mais fora do que dentro de casa, em um fato inédito na história desse conglomerado, diz um executivo, na condição de anonimato.

Volume

Para os próximos anos, a expectativa é de que um maior volume de recursos migre para os EUA e Europa em meio à necessidade de diversificação dos investimentos e a queda dos juros no Brasil – e, mais à frente, no mercado americano. O presidente da Avenue, Roberto Lee, estima que R$ 1 trilhão de recursos de brasileiros devem desembarcar em solo americano na próxima década.

Dados do BC mostram entradas no total de US$ 165 milhões de investimento brasileiro no exterior no primeiro trimestre. Em 2022, o saldo havia ficado negativo em US$ 251 milhões após o recorde de US$ 15,4 bilhões em 2021.

De olho no potencial futuro, a Avenue, que viu seu volume de captação saltar desde que trouxe a grife “Itaú” para o negócio, mira novas aquisições como a da startup myProfit, voltada a facilitar a vida do investidor de Bolsa em cálculos de impostos e de performance.

Corrida

A corrida dos bancos ao exterior para abrir contas para os brasileiros agita a concorrência. O Itaú movimentou o mercado com a compra de uma fatia da Avenue. O rival Inter, por exemplo, decidiu montar esse negócio do zero nos EUA. O banco acaba de receber a licença da Financial Industry Regulatory Authority (Finra, agência autorreguladora de corretagem nos EUA) para operar como corretora de investimentos no país por meio da Inter&Co Securities.

O Inter pretende lançar ainda duas filiais fora do país, uma nas Ilhas Cayman e outra em Miami (EUA), e também vai estruturar uma plataforma de “wealth management” para atender os clientes endinheirados.

O BTG Pactual prepara para o terceiro trimestre a conta para investimentos nos EUA para clientes de varejo. Até então, o banco oferecia o acesso ao mercado americano apenas aos clientes com US$ 250 mil ou mais para investir. A plataforma vai começar com a disponibilidade de ações, que era a maior demanda dos clientes do banco, segundo Marcelo Flora, sócio e responsável pelas plataformas digitais do BTG. O plano é, em seguida, adicionar fundos e depois renda fixa.

Já a XP oferece conta de investimentos internacional desde maio de 2022, mas em um passo adiante acaba de disponibilizar 100 fundos diretamente no exterior. O serviço está disponível aos clientes com mais de R$ 10 mil na plataforma de investimentos, o que significa uma base de mais de um milhão de contas. Segundo Diego Correia, gestor na área de investimentos internacionais da XP, o número de clientes com a conta vem duplicando a cada 15 a 25 dias.

Em paralelo a uma nova injeção de recursos em seu banco nos EUA, o Bradesco traz a público em julho sua conta internacional digital. O conglomerado optou por construir a sua solução dentro de casa, em uma unidade nas Ilhas Cayman. Voltada a quem viaja ao exterior, a My Account permite ao cliente comprar dólar pelo câmbio comercial e acesso aos recursos no exterior por meio de um cartão de débito.

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