Sexta-feira, 10 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de julho de 2026
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, enviou pagamentos de até R$ 2 milhões para influenciadores digitais atacarem o BC (Banco Central) nas redes sociais, segundo investigação da PF (Polícia Federal).
A 10ª fase da Operação Compliance Zero, realizada na quinta-feira (9) e autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, investigou indícios de atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do BC, instituição que determinou a liquidação do Master em novembro do ano passado.
O magistrado emitiu dois mandados de busca e apreensão em Brasília. Na determinação, Mendonça destacou que os investigadores apontaram que Vorcaro utilizou fundos das fraudes do banco liquidado para realizar uma campanha de desinformação, chamada de “Projeto DV”.
De acordo com as investigações da PF, Vorcaro haveria intimidado e coagido influenciadores que recusaram as ofertas. Além disso, jornalistas e pessoas ligadas a autoridades públicas também foram ilicitamente monitorados.
A operação ainda analisou a atuação da possível organização criminosa para a obtenção indevida de informações sigilosas e a adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.
Alvos da operação
Um dos alvos da operação da PF foi Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. Foi autorizada a busca e apreensão em endereços ligados ao suspeito.
Na decisão, Mendonça destacou o caráter urgente da medida no intuito de evitar a perda de provas digitais e a gravidade de condutas que poderiam interferir nas investigações do caso.
Mensagens trocadas entre Miranda e Vorcaro mencionam formas de buscar informações privadas sobre a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, na tentativa de impedir a produção de novas reportagens sobre o Banco Master.
Ao não encontrarem nada que a pudesse comprometer, os dois cogitam a opção de contratar a jornalista com salário na casa dos R$ 120 mil e “luvas” contratuais – bônus pago no momento da assinatura.
Defesa de Miranda nega irregularidades
Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou a prática de qualquer ilegalidade e afirmou que a existência de uma investigação não permite antecipação de culpa. “Acerca dos fatos amplamente divulgados no dia de hoje [quinta], a defesa de Thiago Miranda vem a público refutar, de forma categórica, a prática de qualquer ilegalidade por seu constituinte. Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros. A defesa esclarece que a existência de investigação em curso não autoriza qualquer juízo antecipado de culpa, devendo ser rigorosamente preservadas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência”, afirmou a defesa.