Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de março de 2026
As invasões hackers aos sistemas da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) que deram ao banqueiro Daniel Vorcaro acesso a dados sigilosos das investigações acerca das fraudes do Banco Master ocorreram primordialmente através de duas estratégias capitaneadas pelos comparsas Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Do spearfishing, um golpe mais sofisticado, à simples compra de senhas por meio de intermediários, os métodos usados pela “Turma” (nome do grupo de WhatsApp do grupo) permitiram a Vorcaro ter acesso a investigações sigilosas sobre ele e o Master quase em tempo real. Os três foram presos na terceira fase da Operação Compliance Zero da PF na última quarta-feira junto do cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel. O quarteto foi descrito pelo relator como “uma espécie de milícia privada”.
Sicário morreu horas depois de ser preso pela PF. Ele tentou tirar a própria vida em uma cela na superintendência da corporação em Minas Gerais e chegou a ser reanimado pelo Samu e levado a um hospital, mas não resistiu. O procedimento mais elaborado foi usado na PGR. Conhecido pela polícia de Minas Gerais pela larga ficha criminal e histórico de fraudes digitais, Sicário, que recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro, adotou uma campanha de spearfishing junto a servidores do Ministério Público Federal (MPF) mapeados pelo grupo.
O método usa tela falsas de troca de senhas, enviadas por e-mail aos servidores alvo do golpe. A principal característica desse esquema é o cuidado para que a fraude seja a mais convincente possível para que a vítima não se dê conta nem ao longo do tempo de que foi enganada.
Segundo fontes familiarizadas com as invasões ordenadas por Vorcaro, Sicário elaborou um ambiente digital para a troca de senha com a mesma aparência do servidor usado pelos funcionários da PGR. Os alvos, com e-mails conhecidos, receberam uma mensagem falsa alertando sobre a necessidade da troca. O golpe funcionou, e o grupo obteve acesso a dois procedimentos sigilosos que corriam na primeira instância sobre o caso Master.
Já na PF, o roubo das senhas para viabilizar as invasões ficou a cargo de Roseno, escrivão aposentado da PF que também foi alvo da terceira fase da Compliance Zero. Neste caso, segundo o que apuramos, a metodologia foi menos sofisticada – Rosendo funcionou como intermediário para a compra de senhas de servidores da ativa –, mas a familiaridade com o sistema e o acesso do comparsa de Vorcaro a servidores da corporação foram determinantes para o sucesso do hackeamento. (Com informações do jornal O Globo)