Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de janeiro de 2026
É crescente entre banqueiros o entendimento de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), faz uma pescaria na investigação sobre as irregularidades do Master para tentar identificar alguma brecha que permita anular a liquidação do banco. A desconfiança ganhou força após o magistrado determinar, de ofício, a acareação, sem precedentes, entre investigados e um dos diretores do Banco Central (BC).
A medida inverte a lógica da investigação e constrange o BC, que tem o papel de regulador e supervisor do sistema financeiro. Para banqueiros e outros agentes do mercado, a anulação apenas pouparia Daniel Vorcaro, dono do Master, no processo penal para afastá-lo da prisão, sem qualquer preocupação patrimonial ou com correntistas.
“Mesmo se houver reversão da liquidação do banco, Vorcaro não capta mais um real. E quem compraria um CDB do Master, por exemplo, sabendo tudo que já foi revelado?”. O questionamento é feito entre atores do setor financeiro.
A anulação também poderia retardar o ressarcimento a credores, na visão de alguns técnicos de bancos. O ressarcimento com recursos dos Fundo Garantidor de Créditos é mais comum quando o BC determina o encerramento das atividades da instituição. O processo judicial é mais demorado.
Também questiona-se a capacidade técnica de um juiz (neste caso Dias Toffolli) para concluir se o Master estava ou não insolvente. O know-how está com a equipe técnica do Banco Central, que detectou “grave crise de liquidez” e “violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.
Como mostrou o Estadão, há preocupação no Banco Central com a atuação de Dias Toffolli. A possibilidade de ele anular a liquidação do banco privado é vista como concreta, crescente e atual. Isso puniria os técnicos que fizeram o seu trabalho ao encontrar R$ 12,2 bilhões em créditos podres que foram revendidos ao Banco de Brasília (BRB).
Contradição
Os depoimentos prestados à Polícia Federal (PF) pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa apresentaram informações contraditórias, segundo apurou o Estadão/Broadcast.
Prisão
Daniel Vorcaro chegou a ser preso em 17 de novembro por ordem da 10ª Vara Federal de Brasília, e solto no dia 29 do mesmo mês após um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Dias depois, a investigação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal por causa da apreensão de um documento com Vorcaro que citava um deputado federal, como revelou o Estadão.
A suspeita da investigação é de que o Master fabricou carteiras falsas de crédito para vendê-las ao Banco de Brasília (BRB). São investigados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, dentre outros.
O Banco Central decretou no dia 18 a liquidação extrajudicial do Banco Master, menos de um dia depois de o Grupo Fictor ter indicado interesse em comprar a instituição. (Com informações da Coluna do Estadão, de O Estado de S. Paulo)