Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Barcelona e Bogotá buscam conciliar expansão de ciclovias e eficiência no transporte público

Ao desembarcar na capital da Catalunha na estação Barcelona Sants, o viajante busca a melhor maneira de chegar ao hotel, perto da Igreja da Sagrada Família, local icônico da cidade. O aplicativo de mapas estima que o percurso de cerca de 5 km a pé levaria 50 minutos. De carro, o mesmo trajeto é estimado em 14 minutos, o mesmo caso o caminho fosse feito de bicicleta.

A escolha foi o transporte público: 10 minutos para percorrer cinco estações de metrô. No trajeto, as perguntas sobre o que faz de Barcelona um exemplo em mobilidade urbana deixaram o campo teórico e passaram a ser empíricas.

Barcelona está presente com frequência como exemplo em levantamentos que avaliam a qualidade da mobilidade. Os primeiros minutos na cidade deixam algumas pistas. O trânsito não está caótico, talvez porque ser sábado, as motos e as bicicletas são mais presentes do que os carros, algo favorecido pelo clima mediterrâneo ameno, mesmo no fim do inverno europeu, e em algumas ruas o espaço destinado aos carros é inferior ao dos pedestres e bikes.

Uma experiência individual, no entanto, não pode explicar o coletivo, conforme observa o professor Oriol Marquet, coordenador de um grupo que pesquisa mobilidade, transporte e território na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Em sua opinião, a fama da capital da Catalunha não reflete totalmente o dia a dia dos mais de 1,6 milhão de moradores.

“A reputação de Barcelona é em parte merecida e em parte uma narrativa. É verdade que, no centro da cidade, a mobilidade é muito bem gerida. Há densidade, uma mistura de usos, um ambiente urbano muito propício para andar a pé e uma rede de transporte público que funciona muito bem”, diz.

Ele explica, porém, que existem lacunas fora da região central conhecida pelos turistas. Longos deslocamentos, dependência de veículos particulares, poluição e desigualdades de acesso persistem na área metropolitana, para onde boa parte da população está sendo empurrada pelo processo de gentrificação e alto custo de vida.

(com informações do portal Valor Econômico)

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