Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de janeiro de 2026

O beach tennis deixou de ser apenas uma atividade recreativa de verão para se tornar um dos esportes que mais crescem no Brasil. Segundo levantamento da Federação Internacional, o país já reúne mais de 1 milhão de praticantes, o que representa cerca de 60% dos jogadores no mundo. A modalidade, que nasceu na Itália nos anos 1980, encontrou aqui terreno fértil: quadras em clubes, praças e até condomínios urbanos.
Pesquisas recentes da UFRGS mostram que o esporte pode ser um aliado no controle da hipertensão arterial, além de melhorar o condicionamento físico e reduzir sintomas de ansiedade. Outro estudo, realizado em Minas Gerais, destacou que a motivação dos praticantes vai além da performance: prazer, socialização e bem-estar são os principais.
Para aprofundar o tema, entramos em contato com o fisioterapeuta Thiago Alfama da Silva, que acompanha de perto a popularização da modalidade. Ele destaca o caráter inclusivo: “O beach tennis é um dos esportes mais democráticos que temos. Qualquer pessoa, mesmo sem experiência prévia, consegue jogar. Diferente do tênis ou do padel, que exigem técnica e preparo físico, aqui a barreira de entrada é muito menor.”
Além da acessibilidade, o esporte traz ganhos físicos importantes. Jogar na areia exige mais esforço muscular, fortalece pernas e abdômen e pode queimar até 600 calorias por hora. “É uma mescla de exercício aeróbico e de força. Para quem não pratica nada, já é um grande estímulo inicial”, explica Thiago.
Mas os benefícios não param no corpo. A prática ao ar livre estimula a produção de vitamina D, essencial para o sistema imunológico e para o humor. “A população gaúcha costuma ter déficit de vitamina D, porque se expõe pouco ao sol. O beach tennis ajuda a corrigir isso de forma natural”, observa o fisioterapeuta.
Do ponto de vista mental, o esporte é uma verdadeira terapia. “Quando mantemos o exercício por mais de 20 minutos, o corpo libera endorfina, serotonina e dopamina. Essa cascata de hormônios regula o humor e dá sensação de bem-estar. É um remédio natural contra estresse e ansiedade”, afirma.
Outro diferencial é o aspecto social. Por ser jogado em duplas ou quartetos, o beach tennis estimula cooperação e vínculos. “Ele nunca é praticado sozinho. Para quem sofre com ansiedade ou sintomas depressivos, o jogo em grupo é um estímulo fundamental. Trabalhar em equipe fortalece vínculos e melhora a saúde mental”, destaca Thiago.
Apesar dos benefícios, o fisioterapeuta alerta para cuidados básicos: hidratação, alimentação equilibrada e aquecimento.“Sem água suficiente, o músculo entra em fadiga química, o que pode gerar câimbras e lesões. Antes do jogo, cinco minutos de aquecimento já preparam o corpo. O alongamento deve ficar para depois, ajudando na recuperação”, recomenda.
Quanto à vestimenta, Thiago lembra que o jogo é praticado descalço. “Isso melhora a percepção corporal e a resposta muscular. Óculos escuros e viseira ajudam contra o sol. O que faz diferença mesmo é a raquete: investir em um bom material, com grip adequado ao tamanho da mão, melhora muito o desempenho.”
Mais que moda esportiva, o beach tennis é hoje um fenômeno cultural e terapêutico. Une condicionamento físico, saúde mental e integração social em um ambiente democrático e acessível. O Brasil não apenas adotou a modalidade, mas a transformou em potência mundial, mostrando que a areia pode ser palco de bem-estar, inclusão e alta performance.
Serviço
Se você quiser praticar beach tennis até o final de fevereiro, em Atlântida há quadras gratuitas do projeto Verão Pampa, na orla em frente à SABA. O espaço funciona das 9h às 18h, de segunda a sexta e nos sábados e domingos, com orientação de profissionais, além de empréstimo de raquetes e bolinhas para quem deseja experimentar a modalidade. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)
Entrevista concedida por Thiago Alfama da Silva – Fisioterapeuta, Clínica Fortius (CREFITO5 152.866F) – Avenida Mariland, 777 – Porto Alegre.