Quinta-feira, 12 de março de 2026

Benzedeiras e benzeduras

Que jogue a primeira pedra quem nunca procurou uma benzedeira!

Há momentos em nossas vidas que só a fé poderá nos amparar, quem já não passou por isso?

Quem, em uma situação específica, mesmo consultando o médico e usando medicamentos, não foi em busca de uma benzedura?

A fé é algo inexplicável, também não há como medir o tamanho da fé de alguém, mas quando ela é colocada à prova coisas incríveis acontecem, entre outras, a mudança de atitudes na vida de alguém e a consequente qualidade de vida, eu já vi isso acontecer!

Principalmente em cidades pequenas do interior e na minha Barra do Ribeiro não é diferente, as “benzedeiras e benzeduras”, são muito requisitadas. Quem nunca recorreu a uma famosa benzedeira para resolver algum problema?

No interior é assim, quando necessário recorre-se ao médico, mas sem abrir mão da benzedeira, isso não é apenas folclore é fé!

Há alguns anos o MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) lançou um livro com o título que estou usando nesta crônica, “Benzedeiras e Benzeduras”, justamente tratando deste tema que tanto mexe com a fé e o imaginário das pessoas, o livro segue à venda.

Como diz o ditado gaúcho de Jayme Caetano Braun: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

Por via das dúvidas, uma visitinha a benzedeira sempre é bom, ainda hoje eu não deixo por menos e sempre que chegava na casa da minha mãe, de pronto já pedia uma benzedura, só pra garantir, a velhinha era do ramo, benzia que era uma maravilha! Que Deus a tenha.

Já presenciei benzeduras de todo tipo, em crianças, para a saúde das pessoas, dos animais, desviar temporal, abrir os caminhos para um emprego, melhorar as lavouras e até derrubar verrugas das mãos e, essa, eu posso afirmar, pois aconteceu comigo, quando adolescente, um benzedor famoso aqui da minha Barra do Ribeiro, me benzeu e, ao longo de algumas semanas, todas as verrugas foram secando e caindo. Lembra do ditado que citei antes?

As pessoas que possuem o dom da benzedura, em geral, possuem características peculiares, na maioria das vezes são idosos, serenos, reflexivos, humildes, simples, com um coração gigante.

O senhor Olegário, que me benzeu as verrugas, além das características já citadas, era muito idoso, negro, cego e usava uma bengala como apoio. Nunca mais esqueci o dia que fui até ele, quando cheguei próximo, parecia que ele estava à minha espera, me cumprimentou, pegou minha mão e passou a mão dele nas verrugas, foi até um canteiro, pegou umas folhas verdes e me benzeu em direção ao sol, lembro até hoje a textura da sua mão grossa e idosa, tocando a minha de adolescente, eu estava com 15 anos, senti uma sensação como se uma energia positiva tivesse passando pelo meu corpo, foi uma experiência incrível!

O benzedor é um ser especial, seu dom acalenta a nossa alma, a fé cura o nosso corpo!

Conforme Jesus Cristo dizia: a tua fé te salvou!

Fica a reflexão!

Benzedeiras e Benzeduras, são patrimônios culturais da nossa gente!

* Luís Eduardo Souza Fraga – historiador e escritor (fragaluiseduardo@gmail.com)

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