Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de janeiro de 2026
O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira (27) em clima de forte otimismo. O dólar comercial recuou 1,41% e fechou cotado a R$ 5,2056, no menor nível desde maio de 2024. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, avançou 1,79% e renovou o recorde histórico de fechamento, aos 181.919 pontos.
O desempenho positivo dos ativos locais foi impulsionado, principalmente, pela divulgação da prévia da inflação oficial de janeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,20% no mês, ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,22%.
No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. O resultado reforçou a leitura de desaceleração gradual dos preços, o que favoreceu o desempenho da bolsa e pressionou o dólar para baixo.
Entre os grupos que mais contribuíram para a alta do IPCA-15 estiveram saúde e cuidados pessoais, com reajustes em planos de saúde e produtos de higiene, além do grupo comunicação, influenciado principalmente pelos preços de aparelhos celulares. A alimentação também voltou a subir, puxada por itens como tomate, batata, frutas e carnes, enquanto produtos como leite, arroz e café registraram queda de preços.
Na outra ponta, o grupo transportes apresentou recuo, refletindo principalmente a queda nas passagens aéreas e iniciativas de tarifa zero adotadas por alguns municípios.
Expectativa por decisões de juros
A divulgação do IPCA-15 ocorre às vésperas da chamada “Superquarta”, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de política monetária. A expectativa predominante do mercado é de manutenção das taxas de juros tanto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central quanto pelo Federal Reserve (Fed).
No Brasil, investidores avaliam que, apesar da manutenção dos juros nesta reunião, o ciclo de cortes pode ter início ao longo do primeiro trimestre de 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (26), a projeção do mercado é que a taxa Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano, ante o atual patamar de 15%.
Cenário externo
No exterior, os investidores acompanharam com cautela as sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a escolha do novo presidente do Fed. Há receios de que o indicado possa sofrer pressões políticas para acelerar cortes de juros, o que levantaria questionamentos sobre a independência do banco central norte-americano.
Também voltou ao radar o risco de paralisação parcial do governo dos EUA, diante do impasse no Congresso em torno do Orçamento e de questões relacionadas à segurança interna. Tensões políticas aumentaram após protestos no estado de Minnesota, desencadeados pela morte de um homem em uma ação da Patrulha das Fronteiras.
No campo geopolítico, um fator positivo veio da assinatura de um acordo comercial entre a União Europeia e a Índia, após duas décadas de negociações. O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 2 bilhões de pessoas.
Desempenho acumulado
Com o resultado desta terça-feira, o Ibovespa acumula alta de 1,94% na semana e de 13,16% no mês e no ano. Já o dólar apresenta queda de 1,41% na semana e recuo de 5,16% tanto no acumulado do mês quanto no ano.