Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026
O Ibovespa encerrou o pregão dessa sexta-feira (30) em queda de 0,97%, aos 181.363 pontos, mas fechou o mês de janeiro com alta acumulada de 12,56%. Ao longo do mês, o índice renovou máximas históricas e, na quinta-feira (29), ultrapassou pela primeira vez o patamar de 186 mil pontos, em um movimento sustentado principalmente pela entrada de recursos de investidores estrangeiros no mercado local.
Após uma sequência de recordes, o Ibovespa passou por uma correção no fim do mês. No melhor momento de janeiro, o índice chegou a operar cerca de 25 mil pontos acima do nível de fechamento de 2025, quando estava próximo dos 161 mil pontos.
Mesmo com recuos nos dois últimos pregões da semana, o principal índice da B3 conseguiu preservar o ganho expressivo de 12,56% no primeiro mês de 2026. O desempenho superou levemente o registrado em novembro de 2023 (+12,54%) e marcou o melhor resultado mensal desde novembro de 2020, quando avançou 15,90%.
No acumulado de 12 meses, o Ibovespa registra alta de 42,90%.
Desde o início do ano até 28 de janeiro, o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira somava R$ 23,062 bilhões, o equivalente a 90,54% de todo o ingresso registrado em 2025, que foi de R$ 25,473 bilhões. Segundo especialistas, esse movimento está associado ao dólar mais fraco no mercado internacional e à percepção de que as ações brasileiras ainda são negociadas a preços atrativos.
A valorização também refletiu uma reprecificação dos ativos, especialmente das ações mais líquidas – as chamadas blue chips –, com destaque para grandes bancos e empresas ligadas a commodities, sobretudo metais. Além disso, contribuíram para o desempenho do índice a rotação global de recursos para mercados emergentes e as expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
Após o forte avanço de janeiro, o Ibovespa tende a iniciar fevereiro com maior atenção aos resultados das empresas referentes a 2025. Na avaliação de Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio da Anvex Capital, o movimento recente de alta deve dar lugar a um período mais marcado por rotação entre setores e realização de lucros.
Dólar
O dólar ganhou fôlego no último pregão do mercado de câmbio em janeiro, reduzindo parte das perdas acumuladas ao longo do mês. Ontem, a moeda americana subiu 1,04%, encerrando o dia cotada a R$ 5,24. O movimento refletiu a reação do mercado à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Apesar da alta no pregão, o dólar fechou janeiro com queda acumulada de 4,39%.
“Warsh, ex-diretor do Fed entre 2006 e 2011, defende cortes de juros, mas é conhecido por manter historicamente uma postura hawkish (mais dura), o que reduz o risco de uma captura política total do banco central. Trata-se de um nome com credibilidade institucional”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Apesar da recuperação recente, os ganhos não foram suficientes para reverter a desvalorização da moeda ao longo do mês. Esse movimento também refletiu a escalada das tensões geopolíticas, com as ameaças de Trump ao Irã, que elevaram o risco global. “Tudo isso tem penalizado o dólar no exterior”, diz Clara Negrão, economista da Ágora Investimentos. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)