Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Bolsonaristas criticam a decisão de Tarcísio de Freitas de cancelar a visita ao ex-presidente preso

O cancelamento da visita de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a Jair Bolsonaro levou aliados do ex-presidente criticarem a mudança de planos do governador de São Paulo.

O encontro, pedido pela defesa de Bolsonaro e aprovado pelo ministro Alexandre de Moraes, ocorreria na quinta-feira (22), mas na noite de terça-feira (20) a assessoria do Palácio dos Bandeirantes divulgou uma nota segundo a qual não haveria mais reunião “para cumprimento de compromissos” no estado.

Nesta quarta-feira (21), o jornal O Globo mostrou que o recuo de Tarcísio foi uma tentativa de não se comprometer com a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, anunciada no início de dezembro. Desde o anúncio, aliados do ex-presidente cobram uma “entrada de cabeça” do governador na empreitada eleitoral do senador, o que ainda não ocorreu, apesar de Tarcísio ter dito mais de uma vez que vai apoiá-lo “no momento certo”.

Segundo apurou a reportagem, Flávio e Tarcísio falaram por telefone no fim de semana passado. Na conversa, eles discutiram a eleição presidencial e o governador ouviu sobre a importância do apoio dele a Flávio na disputa presidencial. Segundo um aliado de Flávio, as falas foram cordiais. A ligação aconteceu antes de a defesa de Bolsonaro pedir ao STF autorização para Tarcísio visitá-lo na Papudinha.

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, um dos aliados de peso de Bolsonaro na capital paulista, acredita que o cancelamento é “difícil de entender. “Acredito que ele já tinha algo agendado, essas determinações do Supremo impondo data e horário são complicadas. Mas eu, como qualquer brasileiro de direita, gostaria de poder visitar o presidente”, afirmou Mello.

Na terça-feira, horas antes do recuo, Tarcísio havia anunciado a viagem a Brasília. “Eu fico satisfeito de ele ter me dado essa oportunidade, porque eu vou lá visitar um amigo, né? Sobretudo um grande amigo, uma pessoa que tem muita consideração”, tinha dito Tarcísio, em entrevista coletiva em São José da Bela Vista (SP).

Após ser questionado sobre o fato de que o governador confirmou a visita no mesmo dia em que desistiria do encontro, Mello endureceu o discurso. “Não sabia deste detalhe. Então, realmente difícil entender. Milhões de brasileiros até pagariam para ter essa oportunidade”, afirmou. Perguntada sobre os compromissos que Tarcísio teria marcado para a quinta-feira em São Paulo, a assessoria do governador disse que a agenda dele ainda não está fechada.

“Enredo complexo” e “Climão”

Um deputado bolsonarista em São Paulo, que pediu para não ser identificado, disse ter sido pego de surpresa com a mudança de planos de Tarcísio e afirmou que o governador proporcionou um “enredo complexo” para uma situação desenhada pelo principal líder da direita para outubro. Para o parlamentar, porém, Tarcísio é “muito esperto” e não vai “deixar estourar nada”, se referindo a uma crise entre ele, o ex-presidente e o filho pré-candidato.

Outro interlocutor próximo a Flávio, que trabalhou na campanha de Tarcísio em 2022, pondera que o governador não gosta de ser pressionado, como tem ocorrido há quase dois meses com as cobranças bolsonaristas. Segundo ele, Tarcísio sabia que ouviria do ex-presidente um pedido para que entrasse de vez na campanha de Flávio. “O climão entre os grupos, que era grande, piorou”, diz a fonte.

Condenado a 16 anos de prisão pela trama golpista e foragido nos Estados Unidos, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem deu entrevista no país americano e também questionou a decisão de Tarcísio.

“A pessoa que colocou Tarcísio como governador chama-se Jair Messias Bolsonaro. Houve um pedido de visita dessa pessoa que está presa (…). Isso é mais um exemplo de que eles, nos bastidores, ficam querendo mudar a cabeça do Bolsonaro”, afirmou Ramagem.

Depois do recuo, aliados de Flávio dizem aguardar os próximos passos do governador, para saber se haverá novo pedido de visitas. Aliados de Tarcísio, ao mesmo tempo, minimizam o cancelamento da viagem e dizem se tratar de um conflito de agendas. Afirmam, ainda, que o governador estaria planejando fazer entregas no interior na quinta, apesar de ele próprio ter confirmado o encontro. (Com informações de O Globo)

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