Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de fevereiro de 2026
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi ouvido na prisão, em Brasília, no contexto de uma investigação que apura possíveis crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro prestou depoimento na unidade conhecida como Papudinha, na última segunda-feira (2), na condição de investigado. O procedimento faz parte de um inquérito em andamento conduzido pelas autoridades competentes.
A investigação busca esclarecer se Bolsonaro cometeu o crime de calúnia ao atribuir a Lula uma suposta associação com traficantes de drogas que atuam no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. As declarações sob apuração foram feitas pelo ex-presidente em março de 2025 e retomam episódios ocorridos durante a campanha eleitoral de 2022.
Na ocasião, Lula participou de um evento no Complexo do Alemão e utilizou um boné com a sigla “CPX”. À época, circularam nas redes sociais informações falsas sugerindo que “CPX” faria referência a uma facção criminosa que atua na região. As publicações atribuíram, sem comprovação, um vínculo entre o então candidato e o tráfico de drogas local, narrativa que posteriormente foi desmentida.
Além da suspeita de calúnia, Bolsonaro também é investigado por possível prática de injúria. O inquérito considera publicações feitas pelo ex-presidente na rede social X (antigo Twitter), nas quais utilizou expressões consideradas ofensivas à dignidade e à honra de Lula, como “cachaça” e “patifaria armada”. Essas manifestações também integram o conjunto de elementos analisados pelas autoridades.
O inquérito foi instaurado a pedido do Ministério da Justiça, que solicitou a apuração formal das declarações e postagens. A defesa de Bolsonaro sustenta que as falas do ex-presidente estão inseridas no contexto da “critica política” e que, portanto, estariam protegidas pela liberdade de expressão no debate público. Apesar desse argumento, a investigação segue em curso, sem conclusão até o momento.
O episódio central do caso remonta a um ato de campanha realizado por Lula durante a eleição presidencial de 2022. No evento, realizado no Complexo do Alemão, o então candidato utilizou um boné com as iniciais “CPX”. O uso do acessório foi explorado por adversários políticos nas redes sociais como forma de insinuar uma ligação com organizações criminosas.
Posteriormente, foi esclarecido que a sigla “CPX” é uma abreviação informal de “complexo”, termo amplamente utilizado para designar conjuntos de comunidades. Exemplos comuns incluem “Complexo do Alemão” ou CPX Alemão, “Complexo da Penha” ou CPX Penha, “Complexo da Maré” ou CPX Maré, “Complexo do Chapadão” ou CPX Chapadão, e “Complexo do Salgueiro” ou CPX Salgueiro. (Com informações da colunista Julia Duailibi, do portal de notícias g1)