Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliou positivamente a transferência da sede da Superintendência Regional da Polícia Federal para as dependências do presídio da Papudinha, em Brasília, e classificou a decisão como um “bom gesto”. A percepção foi relatada por aliados que se encontraram com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na noite da mudança.
A transferência foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na tarde desta quinta-feira (15). A Papudinha é o nome popular do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, integrante do Complexo da Papuda, onde ficam detidos policiais e pessoas consideradas politicamente expostas.
Segundo aliados próximos da família, a avaliação interna é de que Bolsonaro “começou o ano melhor”. O objetivo principal segue sendo a concessão de prisão domiciliar, em sua residência em um condomínio de Brasília. Ainda assim, interlocutores reconhecem um ganho na qualidade de vida com a nova cela na Papudinha.
O entorno do ex-presidente agora deposita expectativas na realização de uma perícia médica por uma junta da Polícia Federal, que irá analisar o estado de saúde de Bolsonaro. O exame deve ser feito antes de Moraes avaliar um novo pedido de prisão domiciliar humanitária, conforme decisão assinada pelo ministro.
A perícia poderá embasar eventuais adaptações na sala de Estado Maior da Papudinha ou, se necessário, a transferência para um hospital penitenciário.
A defesa solicitou a Moraes a concessão de prisão domiciliar humanitária e a realização de uma nova “avaliação médica independente, em caráter de urgência, a fim de aferir a compatibilidade do estado clínico atual do peticionário com o ambiente prisional”.
Nos bastidores, a transferência é tratada com alívio por aliados, embora publicamente seja alvo de críticas. O jornal O Estado de S.Paulo ouviu pessoas próximas ao ex-presidente para avaliar o impacto da decisão.
A avaliação predominante é de que a mudança representa melhora nas condições de custódia, mas que isso não deve ser comemorado publicamente para não enfraquecer a mobilização em favor da prisão domiciliar. Um aliado afirma que a nova cela garante uma “condição mínima” de bem-estar. Outro avalia que as condições são “absurdamente melhores”, mas pondera que “não há o que comemorar”.
Há também o receio de que a transferência reduza a pressão da militância e de lideranças políticas pela domiciliar, prolongando o encarceramento. Um aliado disse enxergar na decisão de Moraes “uma preocupação em evitar um desfecho mais grave”.
Parlamentares e aliados criticaram publicamente a decisão. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nas redes sociais que o País vive sob um “regime de arbítrio judicial”.
“O que vemos não é justiça. É autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado, a caneta usada como cassetete. A transferência de um ex-presidente para uma penitenciária, por decisão isolada, é punição política”, escreveu.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) também criticou a transferência e afirmou que a Papudinha representa um “ambiente prisional severo”. Em publicação nas redes sociais, disse que a medida ultrapassa o cumprimento de uma decisão judicial e se transforma em um “marco simbólico de confronto institucional”.
Michelle Bolsonaro, por sua vez, agradeceu à Polícia Federal pelos cuidados e pelo auxílio prestados ao marido durante as últimas semanas de custódia. A transferência, segundo aliados, foi resultado de uma articulação da qual a ex-primeira-dama participou.
Na decisão que autorizou a mudança, Moraes citou a existência de uma “campanha fraudulenta” contra o Judiciário e mencionou reclamações de familiares de Bolsonaro sobre as condições da cela na PF.
O ministro também destacou que o ex-presidente usufruía de uma série de “privilégios”, como a permanência em sala de Estado Maior com 12 m², banheiro privativo com água quente, televisão, ar-condicionado, frigobar, médico da PF de plantão 24 horas, autorização para fisioterapia, banho de sol diário e exclusivo, realização de exames médicos e protocolo especial para entrega diária de comida caseira.