Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Bolsonaro nega ilegalidade envolvendo joias dadas à ex-primeira-dama pelo governo da Arábia Saudita

O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que não praticou nenhuma ilegalidade envolvendo joias avaliadas em 3 milhões de euros, presenteadas pela Arábia Saudita em 2021. Contudo, o governo Lula informou que o caso será investigado e que não haverá impunidade.

De acordo com reportagem, o governo de Bolsonaro (PL) tentou trazer ilegalmente para o País colar, anel, relógio e um par de brincos de diamantes, que eram um presente do regime saudita para o então presidente e a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que foram apreendidas no aeroporto de Guarulhos.

As joias estavam na mochila de um militar, assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que viajara ao Oriente Médio em outubro de 2021 para representar o governo brasileiro a reunião de cúpula “Iniciativa Verde do Oriente Médio” na capital da Arábia Saudita.

“Estou sendo acusado de um presente que eu não pedi, nem recebi. Não existe qualquer ilegalidade da minha parte. Nunca pratiquei ilegalidade. Veja o meu cartão corporativo pessoal. Nunca saquei, nem paguei nenhum centavo nesse cartão”, disse Bolsonaro.

Investigação

Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeram que o episódio será investigado. O ministro da Justiça, Flavio Dino, disse no Twitter que pedirá uma investigação da Polícia Federal, enquanto o ministro da Comunicação, Paulo Pimenta, enfatizou que não haverá impunidade.

“São muitos os crimes que essa família cometeu, e eles terão que pagar por todos esses crimes”, disse Pimenta em uma transmissão nas redes sociais.

Agentes do aeroporto de Guarulhos apreenderam as joias em 2021 porque é obrigatório declarar qualquer mercadoria com valor superior a mil dólares ao entrar no país. Conforme reportagem, o governo Bolsonaro teria tentado, sem sucesso, recuperar as joias várias vezes por meio de funcionários do governo.

Reações

O ex-ministro Bento Albuquerque se manifestou publicamente também para negar eventual irregularidade no procedimento de liberação de joias no Aeroporto de Guarulhos. Ele disse que não tentou interferir no trabalho da Receita e alegou que as peças avaliadas em R$ 16,5 milhões foram presentes dados por autoridades sauditas ao Estado brasileiro e não à então primeira-dama.

O entorno do ex-presidente tem uma preocupação sobre o caso, que é a documentação das tentativas frustradas para reaver as peças. Na avaliação de aliados do ex-presidente, inclusive na área jurídica, a documentação dessas tentativas é o que tem potencial de trazer complicações para ele, já que coloca em xeque argumentos de que ele desconheceria os presentes do regime saudita.

Bolsonaro está nos Estados Unidos, tendo voado para a Flórida no final de dezembro, 48 horas antes de Lula ser empossado. Ele discursou neste sábado na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês) em Washington, da qual também participa Donald Trump, seu ídolo político.

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