Sábado, 03 de janeiro de 2026

Bolsonaro pede que ex-ministro passe a integrar sua defesa

A equipe jurídica de Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de política econômica Adolfo Sachsida passe a integrar a defesa do ex-presidente.

Os advogados apresentaram, no processo de execução penal, o ato de “substabelecimento com reservas”, que consiste em delegar ao novo membro da defesa poderes de atuar no processo representando o cliente, neste caso, Bolsonaro.

O ex-ministro também é um crítico do ministro Alexandre de Moraes. Nesta sexta, por exemplo, ele fez uma postagem nas redes sociais em que diz que o magistrado é “a maior ameaça à democracia brasileira”.

Com formação em direito e pós-graduação em economia, Sachsida foi ministro de Minas e Energia no período de maio a dezembro de 2022. Ele também esteve à frente da Secretaria de Política Econômica, no Ministério da Economia, entre janeiro de 2019 e abril de 2022.

Atualmente, fazem a defesa do ex-presidente os advogados Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser. Caso passe a integrar a equipe jurídica, Sachsida também poderá ter acesso ao ex-presidente sem autorização judicial, na prisão.

Em outra manifestação, a defesa também pediu para integrar a equipe os advogados João Henrique Nascimento de Freitas e Larissa Gabriele Patrício de Sá.

Bolsonaro está preso cumprindo a pena de 27 anos de prisão pela condenação pela tentativa de golpe de Estado. Ele cumpre o regime fechado na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

O ex-presidente recebeu alta hospitalar na quinta-feira (1°). Bolsonaro deixou o hospital DF Star, onde estava internado desde o último dia 24 para fazer uma cirurgia de hérnia. Ele sofreu com picos de hipertensão e teve crises de soluço — motivo pelo qual foi submetido a três procedimentos cirúrgicos, respectivamente no sábado (27), na segunda (29) e terça (30).

Segundo o último boletim médico sobre o estado de saúde de Bolsonaro, divulgado na quarta (31), o resultado da endoscopia revelou a “persistência de esofagite e gastrite”.

“(Ele) segue em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, em fisioterapia respiratória, terapia de CPAP noturno (aparelho que ajuda na respiração) e medidas preventivas para trombose”, diz o documento.

Bolsonaro recebeu uma série de orientações de autocuidado que terá que seguir, por exemplo, comer de forma mais fracionada e não deitar depois de se alimentar para não ter refluxo. Segundo os médicos, ele seguirá com curativos depois da alta e precisará dispensar atenção especial ao risco de queda em razão do uso do CPAP.

Ainda conforme a equipe, Bolsonaro também pediu, nos dias de internação, para fazer uso de remédios antidepressivos, que passaram a ser administrados pelos médicos durante a permanência dele no hospital.

Na cela da superintendência da PF em que Bolsonaro cumpre a pena não há convívio com outros detentos e há maior conforto do que num presídio. O espaço é um quarto de 12 m², com televisão, ar-condicionado, banheiro privado e uma escrivaninha.

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