Terça-feira, 21 de maio de 2024

Bolsonaro recebeu “em mãos” cartão falso de vacinação, diz a Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu “em mãos” de seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid o cartão de vacinação contra a covid fraudado. O ex-presidente, Cid e outras 15 pessoas foram indiciadas por crimes como associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação.

Segundo a PF, Mauro Cid disse, em delação premiada firmada com a corporação, que Bolsonaro, ao saber que o tenente-coronel “possuía cartões de vacinação contra a covid em seu nome e em nome de seus familiares”, ordenou que o auxiliar também forjasse comprovantes para ele e para sua filha, Laura Bolsonaro, de 12 anos. Naquele momento, alguns países exigiam o documento para que um visitantes pudesse entrar.

Ainda de acordo com os investigadores, os elementos de prova coletados ao longo da investigação “são convergentes em demonstrar que Bolsonaro agiu com consciência e vontade determinando que seu chefe da Ajudância de Ordens intermediasse a inserção dos dados falsos de vacinação contra a covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde em seu benefício e de sua filha Laura Bolsonaro”.

Impressão no Alvorada

As investigações da PF apontaram também que os documentos de imunização no aplicativo ConecteSUS foram impressos em um equipamento de impressão no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

“O colaborador ainda afirmou que imprimiu os certificados e entregou em mãos ao então Presidente da República JAIR MESSIAS BOLSONARO”, diz o relatório produzido pela PF.

Os detalhes de como se deu a falsificação está no relatório final da investigação. A PF montou uma linha do tempo dos acontecimentos. Às 7h57 do dia 22 de dezembro de 2022, há um registro de entrada de Mauro Cid no Alvorada. Um minuto depois, ele fez login em um dos computadores do local. Às 7h59, acessou a conta de Bolsonaro no ConecteSUS, aplicativo do Ministério da Saúde. Em seguida, às 8h, emitiu o certificado.

Assessor rasgou

Cid relatou em seu acordo de delação premiada que, posteriormente, o coronel Marcelo Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, rasgou os certificados falsos de vacinação de Bolsonaro e de sua filha e determinou a exclusão dos registros de que os dois teriam tomado o imunizante contra a covid.

Para a PF, o episódio faz parte de uma tentativa de “apagar os rastros das condutas criminosas”.

Defesa

O advogado Fabio Wajngarten, que defende Bolsonaro, lamentou o “vazamento” da informação do indiciamento do ex-presidente pela PF. Segundo ele, o ato deveria “ter revestimento técnico e procedimental ao invés de midiático e parcial”.

Também advogado de Bolsonaro, Paulo Bueno afirmou que o ex-presidente não se vacinou contra covid para viajar aos Estados Unidos em dezembro de 2022. Segundo Bueno, ao voltar para o Brasil, em março de 2023, Bolsonaro fez um teste para covid, que deu negativo. Daniel Tesser, outro defensor do ex-presidente, complementou dizendo que por ter passaporte diplomático, Bolsonaro não precisava apresentar comprovante de imunização.

Outro defensor de Bolsonaro, Daniel Tesser completou dizendo que por ter passaporte diplomático, o ex-presidente não precisava apresentar comprovante de imunização.

Ao longo de sua gestão, Bolsonaro se recusou a informar se tomou a vacina contra a covid. Questionado por meio de Lei de Acesso à Informação, o governo impôs um sigilo de até cem anos aos dados sob a justificativa que isso se referia à vida privada do então presidente.

Em nota, a defesa de Marcelo Câmara afirmou que aguarda “que o Poder Judiciário respeite os princípios basilares do Estado Democrático de Direito e as diretrizes do arcabouço jurídico pátrio, compartilhando com a Defesa todo e quaisquer elementos de informação reunidos ao longo da investigação, inclusive, mídias, documentos relacionados às apreensões e, principalmente, a colaboração do também investigado MAURO CESAR BARBOSA CID, na íntegra, em sua versão escrita e gravada, conforme determina a Lei”.

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