Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de janeiro de 2026
Submetido a procedimentos médicos na semana passada, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma melhora na condição de saúde. É o que afirmaram pessoas que tiveram contato com ele nos últimos dias. Desde que retornou à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, no dia 1º, Bolsonaro está sem crises de soluço — sintoma que vinha se repetindo nas últimas semanas — e teria respondido bem aos procedimentos médicos realizados antes de voltar ao local onde cumpre pena.
Bolsonaro ficou nove dias internado no hospital DF Star, em Brasília, onde passou por uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral.
Durante a internação, iniciada em 24 de dezembro e estendida até o primeiro dia do ano, também foi submetido ao bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para conter crises persistentes de soluços, quadro que médicos associaram a complicações decorrentes da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
Desde que retornou à custódia da Polícia Federal, Bolsonaro tem recebido visitas de seu cardiologista, Brasil Ramos Caiado, e passado os dias descritos como “relativamente bem”. Segundo esses relatos, ele teria apresentado apenas uma crise isolada de soluços após o retorno à unidade. Antes da internação, os episódios eram descritos como frequentes, ocorrendo mais de uma vez por dia.
Apesar da avaliação positiva em relação à evolução clínica, pessoas ouvidas sob reserva relatam que Bolsonaro tem se queixado de dificuldades para descansar desde que voltou à PF. O principal incômodo, segundo esses relatos, estaria relacionado ao sistema de ar-condicionado da unidade, que funcionaria de forma contínua e produziria ruídos constantes durante a noite, prejudicando o sono.
A reclamação foi formalizada pela defesa ao Supremo Tribunal Federal. Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados afirmaram que o barulho do equipamento instalado próximo à sala onde Bolsonaro está preso compromete o repouso do ex-presidente, resultando em noites mal dormidas e poucas horas de sono. A defesa solicitou medidas como isolamento acústico ou adequação do espaço.
Nesta segunda-feira, Moraes determinou que a Polícia Federal se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre as condições relatadas pelos advogados. No despacho, o ministro pediu esclarecimentos sobre a instalação do ar-condicionado e eventuais providências adotadas para garantir condições adequadas de custódia.
Pessoas que acompanham o dia-a-dia do ex-presidente afirmam que, embora o problema seja tratado como um desconforto estrutural, a falta de descanso tem sido uma queixa recorrente em conversas com advogados e médicos. A avaliação é que o ruído constante dificulta o sono contínuo, sobretudo durante a madrugada.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, determinada pelo STF, por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. (Com informações do jornal O Globo)