Terça-feira, 21 de abril de 2026

Bons vinhos e belas paisagens num roteiro por Porto e Vila Nova de Gaia, no Norte de Portugal

Nas terras do apreciado vinho do Porto, a experiência é completa — e de aguçar todos os sentidos. Em charmosas aldeias no Vale do Rio Douro, no interior de Portugal, a produção das uvas se estende por uma deslumbrante paisagem de montanhas, e se pode visitar caves onde a bebida envelhece e ganha sabores e aromas nos barris de madeira. Nas áreas rurais ou na vibrante região da cidade do Porto, degustações, almoços e jantares em restaurantes com chefs estrelados harmonizam os melhores rótulos com pratos da alta gastronomia e das tradições locais. Hotéis de luxo onde a cultura vinícola se sobressai em cada detalhe são o pouso de conforto e requinte entre um gole e outro. E a viagem se completa num verdadeiro parque temático, o World of Wine (WOW), com museus e opções de entretenimento para celebrar os tintos, brancos e rosés.

Esta é a proposta do The Fladgate Partnership, que nos últimos anos juntou sua expertise na produção e na distribuição do vinho do Porto com a aposta no enoturismo. Em todas as atividades, o selo é de saberes acumulados desde 1692, quando o grupo de origem inglesa se instalou no norte português para primeiramente fundar a Taylor’s — de muitas safras premiadas —, e, depois, incorporar a Fonseca, a Croft e a Krohn, outras das principais casas produtoras europeias.

Nova vida para galpões históricos

Ao longo desses séculos, galpões à beira do Rio Douro, em Vila Nova de Gaia, vizinha da cidade do Porto, guardavam alguns dos vinhos mais famosos da região, à espera de ganharem o mundo. Reformados, são esses antigos armazéns que abrigam hoje o WOW, um distrito cultural interativo com sete museus, 12 restaurantes e bares, lojas, uma escola de vinho e outra de chocolate, além de galeria de exposições temporárias.

Para iniciados ou não, é o ponto de partida ideal para mergulhar no universo que o roteiro oferece. No complexo de oito mil metros quadrados, aberto em 2020, o museu The Wine Experience, por exemplo, oferece visita imersiva que mostra em que zonas do planeta há condições para plantio dos vinhedos — enquanto que no Pink Palace, dedicado aos rosés, o convite é à diversão, como nadar numa grande piscina de bolinhas cor de rosa. É um dos atrativos que dialoga com o momento atual do grupo, que investe, além do Porto, em vinhos mais leves, de mesa, e nos rosés, para diversificar e rejuvenescer seu público. Refrescante, o drinque do rosé tônico virou sucesso em lugares descolados e pode ser encontrado em bares como os do Lx Factory, em Lisboa.

— Acredito que, para uma região se tornar sustentável em termos econômicos, precisa de conteúdo. Isso significa promover experiências e a interação do viajante com o povo, com a história de uma cidade, a riqueza local. É o que torna o lugar único — afirma Adrian Bridge, CEO do Flatgate Partnership, sobre a estratégia do grupo na região.

Perto dali, outra atração reforça essa ideia, abrindo portas à tradição. Caves tricentenárias foram reformadas e se tornaram o museu da Taylor’s, no qual é possível conhecer a história do rótulo clássico. Nas visitas guiadas ou com audioguias, o passeio acontece em meio a mais de mil barris de diferentes tamanhos e material, que vão produzir sabores variados.

Nos tonéis maiores, ficam os vinhos mais encorpados que, por terem menos contato com a madeira, mantêm a cor mais escura e os sabores frutados. Um dos cascos é gigante, um dos maiores da Europa, com 100 mil litros e capacidade de produzir 133 mil garrafas. Na loja do museu, encontram-se à venda algumas das joias da produção, das mais baratas, como o Late Bottled Vintage, de € 16,50, às mais caras, como o Taylor’s SH 1896, de € 4.600. E é bom preparar o paladar e olfato, porque degustações arrematam essa jornada.

Requinte com vista

No fim, se o visitante tiver exagerado um pouco na bebida, não precisa se preocupar. A poucos passos do Taylor’s fica o The Yeatman, hotel vínico de luxo do grupo com vistas de tirar o fôlego. Aberto em 2010, o cinco estrelas foi um dos motores da transformação turística do Porto e da Vila Nova de Gaia nas duas últimas décadas. Visto de longe, do famoso Cais da Ribeira, na outra margem do Douro, a arquitetura do hotel em formato de ondas se assemelha ao desenho de uma vinha numa colina. Do lado de dentro, o requinte predomina, com janelas e jardins que são uma coleção de ângulos do Rio Douro e da cidade do Porto.

Todos os 109 quartos, cada um com o nome de uma vinícola (da Fladgate ou de parceiros), têm uma dessas panorâmicas. É possível avistar pontos históricos, como a Sé do Porto e a Torre dos Clérigos. É um horizonte que convida a relaxar, apreciando as cores do céu e da cidade, que vão mudando ao longo do dia. Com informações do portal O Globo.

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