Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de janeiro de 2026
As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um novo recorde em 2025, com um total de 44,96 milhões de toneladas de fertilizantes ao longo do ano, volume 2,9% superior ao registrado em 2024, aponta a consultoria StoneX.
O Brasil depende de fertilizantes importados para produzir alimentos. Cerca de 80% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior, o que torna esse mercado sensível a preços internacionais, câmbio e questões geopolíticas.
O movimento foi impulsionado pela compra de fertilizantes com menor concentração, estratégia adotada para reduzir custos em meio a um cenário de preços elevados e relações de troca menos favoráveis ao produtor rural. Ainda assim, a demanda permaneceu aquecida, refletindo os ajustes feitos pelos compradores para conter os custos de produção no campo, aponta o relatório.
Apesar do aumento no volume importado, isso não significa, necessariamente, maior aporte de nutrientes. Produtos menos concentrados são mais baratos por tonelada, mas exigem maior volume para gerar o mesmo efeito na lavoura, o que ajuda a inflar os números de importação sem, necessariamente, aumentar a produtividade.
Uma das estratégias observadas foi a priorização de fertilizantes menos concentrados, como o sulfato de amônio (SAM) e o superfosfato simples (SSP), em substituição a produtos mais concentrados, como a ureia e o fosfato monoamônico (MAP). Segundo a StoneX, essa mudança teve impacto direto no perfil das importações ao longo de 2025.
Os dados indicam que as importações de ureia recuaram 7% em relação ao ano anterior, enquanto as compras de SAM avançaram quase 28%. No segmento de fosfatados, as aquisições de MAP caíram cerca de 25,7%. Em contrapartida, as importações de SSP cresceram 22%, e as de NP, 31,7%.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, a escolha por fertilizantes de menor concentração exige a aplicação de volumes maiores para garantir o suprimento adequado de nutrientes às lavouras. “Ao optar por esses produtos, o agricultor precisa adquirir mais toneladas para atingir o mesmo nível de adubação, o que ajuda a explicar o aumento do volume total importado”, disse.
A continuidade dessa tendência em 2026 ainda é incerta. Segundo Pernías, as decisões de compra dependem de fatores como disponibilidade, preços, relações de troca e custo-benefício, considerando sempre a quantidade efetiva de nutrientes fornecida por cada produto.
Esse aumento de volume também afeta transporte, armazenagem e logística, elevando custos indiretos e pressionando a infraestrutura, fatores que acabam refletindo no preço final das commodities agrícolas.
O analista destaca que o mercado deve seguir atento a variáveis externas, como a aproximação do período de adubação nos Estados Unidos, negociações internacionais envolvendo a Índia, possíveis restrições às exportações chinesas e riscos de sanções comerciais. Esses elementos podem influenciar a estratégia dos importadores brasileiros na busca por redução de custos e manutenção da competitividade.