Domingo, 18 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de janeiro de 2026
O presidente Lula deve responder ao convite feito por Donald Trump para integrar o Conselho da Paz de Gaza apenas na semana que vem, segundo fontes diplomáticas. O comitê foi anunciado pelos Estados Unidos na sexta-feira (16) e tem o objetivo de coordenar a desmilitarização e a reconstrução do enclave palestino.
Interlocutores do governo brasileiro afirmam que o convite acabou de chegar, em um momento em que a diplomacia estava concentrada na assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, realizada neste sábado (17) depois de 25 anos de negociação. Por isso, a resposta “é um assunto para a semana que vem”.
A proposta foi recebida pelo mais alto nível da Embaixada do Brasil em Washington na tarde de sexta-feira e encaminhada ao Itamaraty.
Entre os pontos que o governo pesa para dizer se aceitará o convite ou não está a composição do Conselho. Há uma preocupação sobre a ausência de representação dos palestinos e a falta de consulta aos israelenses.
A avaliação feita é de que é um assunto delicado, que envolve diversos atores, e é preciso ponderar com cuidado as consequências de uma eventual participação brasileira. “Isso não se faz em duas horas de um sábado”, afirmou um interlocutor.
No comunicado sobre a formação do Conselho de Paz, divulgado na sexta, a Casa Branca afirmou que membros adicionais do comitê “seriam anunciados nas próximas semanas”. Entre os países convidados até o momento estão: Argentina, Brasil, Canadá, Egito, Paraguai e Turquia.
O conselho não tem nenhum representante da Autoridade Palestina, rival do Hamas, que administra partes da Cisjordânia ocupada e que deverá assumir o controle de Gaza após as reformas.
E o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a composição do conselho não foi coordenada com Israel e contradiz sua política, possivelmente em reação ao envolvimento da Turquia.
Trump classificou o Conselho de Paz como “o maior e mais prestigioso comitê já reunido”. Mas críticos afirmam que um conselho presidido por um presidente americano para supervisionar um território estrangeiro remete a uma lógica colonialista.
Conselho de Paz supervisionará segunda fase do acordo de cessar-fogo
Os Estados Unidos anunciaram o lançamento da segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza na última quarta-feira (14). A nova etapa do plano de paz de 20 pontos aprovado em outubro prevê que o Hamas entregue suas armas, que Israel retire suas tropas e que as novas estruturas de governo e segurança entrem em vigor.
Segundo o site de política Axios, autoridades americanas temem que a situação em Gaza se deteriore e evolua para uma nova guerra se não houver progresso na segunda fase do acordo. Ainda que a violência tenha diminuído de forma significativa, centenas de palestinos foram mortos em ataques israelenses desde outubro, e a trégua é vista como frágil.
Após o lançamento da Fase Dois, a Casa Branca detalhou na sexta-feira a composição do Conselho de Paz, que irá coordenar a implementação do plano.
O órgão será composto por um “Conselho Executivo fundador”, que será presidido por Trump e inclui o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado de política externa de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner. Também fazem parte o empresário bilionário Marc Rowan e o diretor-geral do Banco Mundial, Ajay Banga.
Haverá também um “Conselho Executivo de Gaza”, que inclui autoridades da Turquia, do Catar, Egito, dos Emirados Árabes Unidos e membros do “Conselho fundador”. Entre os membros está o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que apoiou a invasão do Iraque pelos EUA e é visto pelos palestinos como uma autoridade de postura pró-Israel.
Esse grupo auxiliará o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um conselho tecnocrático palestino independente, que governará Gaza no dia a dia durante a transição. Por fim, há também a Força Internacional de Estabilização, o braço militar do plano, que será comandado por um major-general do Exército americano. (Com informações de CNN)