Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de janeiro de 2026
O governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão no Brasil em 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela SIT (Secretaria de Inspeção do Trabalho), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
O número representa uma alta de 26,8% em relação a 2024, quando 2.186 trabalhadores foram encontrados nessas condições. O recorde, no entanto, segue sendo o de 6.025 resgates em 2007, o maior volume registrado nos 30 anos da série histórica.
Ao longo de 2025, a Secretaria realizou 1.594 ações fiscais específicas de combate ao trabalho escravo contemporâneo em todo o país. Essas operações garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados.
Ao todo, as fiscalizações alcançaram mais de 48 mil trabalhadores. Embora nem todos estivessem em condição irregular grave, eles tiveram outros direitos trabalhistas assegurados pela atuação dos auditores-fiscais em campo. No período, foram lavrados 4.924 autos de infração, que resultaram em um valor estimado de R$ 41,8 milhões em multas aplicadas aos empregadores autuados.
As ações ocorreram em todo o território nacional, conduzidas tanto pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel quanto pelas unidades regionais do Ministério do Trabalho.
Um dos principais destaques do ano foi a mudança no perfil das ocorrências. Pela primeira vez, o número de trabalhadores resgatados no meio urbano superou o do meio rural.
Em 2025, 68% dos trabalhadores identificados em condição análoga à escravidão estavam em áreas urbanas. Em 2024, esse percentual era de 30%, evidenciando uma mudança relevante no padrão.
De acordo com a CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), os setores com o maior número de trabalhadores resgatados em 2025 foram: obras de alvenaria (601 resgatados); administração pública em geral (304); construção de edifícios (186); cultivo de café (184); extração e beneficiamento de pedras e outros materiais para construção (126).
Segundo a SIT, o trabalho escravo contemporâneo não se restringe a um setor específico da economia e pode ser encontrado em atividades como agricultura, mineração ilegal, indústria têxtil, desmatamento e trabalho doméstico.
No âmbito do trabalho doméstico, as ações de fiscalização tiveram crescimento expressivo em 2025. Ao todo, foram realizadas 122 ações fiscais, que resultaram no resgate de 34 trabalhadores, frente a 22 ações e 19 resgates registrados em 2024.
Em nota, a secretaria informou que pretende ampliar a atuação nesse setor e construir uma agenda específica voltada às trabalhadoras domésticas, especialmente mulheres, que estão mais expostas a situações de vulnerabilidade. Segundo o órgão, esses grupos frequentemente enfrentam condições específicas de vulnerabilidade, que exigem políticas públicas direcionadas.
Entre os estados com maior número de fiscalizações estão São Paulo (215 ações), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102). Já em número de trabalhadores resgatados, Mato Grosso lidera o ranking, com 607 pessoas, seguido por Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253).