Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de fevereiro de 2026
Mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais no Brasil. No topo da lista aparecem ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório — trabalhadores que atendem o público, mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.
Em 2025, mais de 500 mil pessoas precisaram se afastar do trabalho por motivos de saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social. É a segunda vez consecutiva que o país bate esse recorde, após já ter alcançado a maior marca da década em 2024.
Para entender como esse cenário se distribui no mercado de trabalho, o g1 analisou uma lista com mais de 2 mil profissões. O levantamento foi elaborado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) em parceria com o MPT (Ministério Público do Trabalho), com base nos dados do INSS. Ele considera o detalhamento mais recente disponível, que considera o período entre 2012 e 2024.
No topo da lista estão profissões como: vendedor varejista, faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção. Segundo especialistas, as profissões mais afetadas têm em comum contratos frágeis, pressão por metas, jornadas longas e maior exposição a riscos, como a violência urbana, caso de motoristas e vigilantes.
Os dados fazem parte da plataforma SmartLab, uma iniciativa que analisa o cenário do mercado de trabalho, organizado pela OIT e MPT, com dados do governo federal. A lista inclui afastamentos com e sem acidentes de trabalho. Para o levantamento das profissões, a plataforma considerou todos os profissionais que pediram licença entre 2012 e 2024.
Por que isso está acontecendo?
Especialistas apontam que o avanço dos afastamentos por saúde mental reflete uma questão estrutural ligada à forma como o trabalho vem sendo organizado no País. As profissões que aparecem no topo do ranking são justamente aquelas com menor poder de negociação, menos margem para reorganizar a própria rotina e maior dependência do trabalho contínuo para garantir renda. Os dois especialistas apontam que, de forma geral, os trabalhadores vêm sendo afetados por uma mudança estrutural e citam:
Relações precárias de trabalho, com contratos precários, temporários e alta rotatividade; medo do desemprego, que amplia a insegurança, reforçador para doenças de saúde mental; profissões ligadas a metas de desempenho, com remuneração atrelada a resultados e oscilações do mercado; volume excessivo de trabalho e jornadas prolongadas, muitas vezes sem reposição adequada de pessoal; exposição à violência urbana na atividade do trabalho.
Brasil tem recorde de afastamentos
O Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença em 2025, o maior número dos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, bateu o recorde, pela segunda vez, em afastamentos por saúde mental.
Somente em 2025, mais de 546.254 afastamentos do trabalho foram por questões de saúde mental. Isso representa um aumento de 15% em relação ao ano passado. A maior parte está concentrada em dois diagnósticos: ansiedade e depressão. Os transtornos ansiosos lideram o ranking, com 166.489 licenças concedidas em 2025, seguidos pelos episódios depressivos, que somaram 126.608 afastamentos.
A lista feita pelo Ministério da Previdência considera as doenças que mais geraram concessões de benefício. Entre elas, também estão: transtorno bipolar, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo. Comparado com o último ano, todas elas tiveram alta.