Segunda-feira, 06 de abril de 2026

Braskem avalia proteção judicial contra credores

A Braskem tem pela frente mais um teste de liquidez, de cerca de US$ 100 milhões, referente ao pagamento de juros de bônus emitidos no mercado externo, e esse compromisso em julho eleva a pressão para que a petroquímica, que enfrenta uma grave crise financeira, recorra à Justiça para se proteger contra credores.

Segundo fontes ouvidas, despender esses recursos comprometeria a capacidade da Braskem de manter em dia o pagamento de compromissos relativos à operação e, nesse contexto, a companhia já avalia um pedido de tutela cautelar, com suspensão dos vencimentos por 60 dias, num esforço para evitar uma recuperação extrajudicial ou judicial.

“Os números do quarto trimestre só reforçaram o quão complexa é a realidade da Braskem”, disse uma fonte. Em sua avaliação, não há tempo hábil para que a companhia chegue a um acordo de reestruturação de dívidas, que superavam R$ 50 bilhões em dezembro, nem perspectiva de reversão da queima de caixa, que chegou a R$ 5,87 bilhões no acumulado de 2025, antes do vencimento do cupom.

A Braskem tinha US$ 2,07 bilhões entre caixa e aplicações financeiras em dezembro – queda de 15% em um ano. Mas, nos últimos trimestres, consumiu mais recursos do que gerou, em meio à queda da demanda e das margens (spreads) de produtos petroquímicos globalmente.

Além do vencimento do cupom em julho, a delicada situação financeira da Braskem Idesa, complexo petroquímico no México que tem como sócias a Braskem (75%) e a mexicana Idesa (25%), representa um risco crescente à companhia brasileira, que cedeu garantia a dívida da subsidiária.

Uma eventual chamada de garantia por parte de credores da Braskem Idesa poderia disparar o chamado “cross default” (vencimento cruzado), afetando passivos da holding brasileira.

O complexo petroquímico contratou no ano passado assessores para renegociar US$ 2,28 bilhões em dívidas. Já em “default”, não tem conseguido avançar nas tratativas e o empresário Carlos Slim, dono da Idesa e detentor de cerca de 60% dos bônus emitidos pela companhia tende a tornar-se seu controlador.

A Braskem também anunciou, em setembro, a contratação de assessores – Lazard, Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP e Munhoz Advogados – para buscar uma saída para sua elevada alavancagem financeira, de 14,7 vezes pela relação entre dívida líquida e Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Em teleconferência para comentar os resultados do quarto trimestre, o comando da companhia disse que o processo estava avançando. Mas, segundo uma das fontes, credores estão aguardando a transferência do controle da petroquímica para um fundo gerido pela IG4, que vai assumir a gestão da companhia junto com a Petrobras, para entender os planos para o negócio e seus passivos.

Havia expectativa de que a transferência das ações detidas pela Novonor para a IG4 fosse consumada já no início deste ano, de forma a se implementar uma ampla reestruturação de seus passivos ainda neste semestre.

A aprovação do negócio, contudo, levou mais tempo do que o previsto no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Já passou pelo crivo de autoridades nos Estados Unidos e no México, mas ainda depende da Comissão Europeia – uma vez que a Braskem tem operações na Alemanha. A expectativa, no cenário mais provável, é o aval na Europa venha em 20 de abril, abrindo caminho para que IG4 e Petrobras, sob um novo acordo de acionistas, assumam a gestão da petroquímica em maio, também sem tempo suficiente para um acordo com credores antes do pagamento dos juros.

O balanço de 2025 da Braskem foi aprovado pelos auditores independentes, mas a companhia alertou para “incerteza relevante” sobre sua continuidade operacional. De outubro a dezembro, a companhia teve receita líquida de R$ 16 bilhões, queda de 16%, e prejuízo de R$ 10,3 bilhões, 82% maior do que a perda apurada um ano antes, refletindo os efeitos do pior ciclo de baixa da indústria petroquímica global.

Procuradas, a IG4 não comentou e a Braskem informou que não iria se manifestar. Com informações do portal Valor Econômico.

 

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