Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de fevereiro de 2026

Em Porto Alegre, a figura do cão comunitário ganha cada vez mais relevância. Trata-se daquele animal que, embora não possua um responsável único, estabelece vínculos de dependência e afeto com a comunidade em que vive — seja na frente de um comércio, em uma escola ou em uma praça. Reconhecido pelos moradores e comerciantes locais, ele se torna parte do cotidiano e da identidade do espaço.
Para dar suporte a esses animais, o Gabinete da Causa Animal, sob coordenação da secretária executiva Tatiana Guerra, lançou o Cadastro do Animal Comunitário. A medida permite mapear os cães comunitários da cidade e organizar atendimentos essenciais: microchipagem, vacinação, castração e acompanhamento veterinário. Além disso, garante apoio com ração e insumos para voluntários que se responsabilizam pelo contato com o gabinete.
A iniciativa surge em meio a dados alarmantes. Segundo a Polícia Civil, em 2024 foram registrados 2.405 casos de maus-tratos contra animais no Rio Grande do Sul. Em 2025, o número saltou para 4.614 ocorrências, um aumento de 125%. Esses casos envolvem não apenas cães e gatos, mas também aves e bovinos. A escalada da violência contra animais reforça a necessidade de políticas públicas de proteção e conscientização.
Tatiana Guerra lembra que o programa não se restringe a cães: “Hoje já temos 25 animais cadastrados, sendo 14 cães e 11 gatos. O importante é reconhecer que esses animais têm vínculos com a comunidade e precisam de cuidados. O cadastro garante que eles sejam identificados, vacinados e acompanhados, evitando abandono e maus-tratos.”
O cadastro pode ser feito por qualquer pessoa maior de 18 anos que se voluntarie como responsável de referência. O processo é simples: basta acessar o Instagram @causaanimalpoa, o site da Prefeitura ou ligar para o 156. A equipe do gabinete visita o local, verifica as condições do animal e providencia castração, vacinação e microchipagem. Para quem não tem recursos, há apoio com ração e acompanhamento veterinário. “O ideal seria que todos os animais tivessem um lar amoroso. Mas, já que não é possível, criamos a figura do cão comunitário, prevista em legislação estadual desde 2019 e apoiada pela Prefeitura desde o ano passado. É uma forma de garantir dignidade e cuidado”, explica Tatiana.
O programa Cão Comunitário não é apenas uma política de bem-estar animal. É também uma ação de cidadania. Ao incentivar que vizinhos, comerciantes e frequentadores de espaços públicos se unam para cuidar de animais, o município promove uma cultura de solidariedade e responsabilidade compartilhada. Mais do que números, o cadastro simboliza uma mudança de mentalidade: reconhecer que os animais fazem parte da vida urbana e que sua proteção é responsabilidade coletiva.
Em uma cidade que registrou milhares de casos de maus-tratos, iniciativas como essa são fundamentais para transformar Porto Alegre em um espaço mais humano e consciente. O recado é claro: proteger os animais é proteger a própria comunidade. Como resume Tatiana Guerra, “O cão comunitário é símbolo de afeto e pertencimento. Cuidar dele é cuidar da cidade.”(por Gisele Flores)