Terça-feira, 05 de maio de 2026

Câmara de Santa Rosa homenageia os 60 anos da Fenasoja em sessão solene

Sessões solenes costumam seguir um roteiro conhecido: discursos formais, homenagens protocoladas e registros institucionais. Mas a realizada pela Câmara de Vereadores de Santa Rosa, no contexto dos 60 anos da Fenasoja 2026, ultrapassou esse formato. O que se viu foi menos um ato cerimonial e mais uma leitura pública de trajetória, memória e permanência de um dos eventos mais simbólicos do interior do país.

Poucos eventos conseguem atravessar seis décadas mantendo relevância e capacidade de mobilização real. A Fenasoja é um desses casos raros. Nasceu ligada à cultura da soja e à força produtiva regional, mas se expandiu para muito além disso. Hoje, funciona como vitrine do agronegócio, espaço de negócios, ambiente de inovação e, principalmente, expressão de identidade coletiva. Essa transformação não se explica apenas por crescimento econômico, mas por um fator mais difícil de medir: organização comunitária sustentada ao longo do tempo.

Na sessão solene, essa dimensão apareceu de forma clara, sem necessidade de grandes explicações. Quando o presidente do Legislativo, Jocemar Gerhardt, afirmou que a força da feira não está nos números, mas nas pessoas, não se tratou de retórica. Foi uma síntese do que se observa na prática: uma estrutura construída historicamente pelo voluntariado, pela participação direta da comunidade e por sucessivas gerações que mantiveram o evento ativo.

A entrega da placa comemorativa proposta pela vereadora Cléo Brinhol reforçou esse entendimento. Ao reunir ex-presidentes — alguns presentes, outros representados por familiares — a homenagem expôs algo que vai além da institucionalidade: continuidade. A Fenasoja não é resultado de uma gestão isolada, mas de uma cadeia de responsabilidades compartilhadas que se acumula ao longo das décadas. Esse tipo de construção é raro e, por isso mesmo, relevante.

O depoimento de Marcos Servat ampliou essa leitura ao relacionar a trajetória da feira com o desenvolvimento da soja no Brasil. Santa Rosa ocupa posição singular nesse processo. Não é apenas cenário, mas parte ativa da história da cultura que colocou o país entre os maiores produtores globais. Nesse sentido, a Fenasoja não acompanha a evolução do setor — ela participa dela.

O prefeito de Santa Rosa, Anderson Mantei, reforçou essa perspectiva ao destacar o papel das pessoas na construção do desenvolvimento regional. A frase, recorrente em discursos públicos, ganha outro peso quando inserida no contexto da feira. Ali, ela não soa abstrata. Reflete uma dinâmica concreta, baseada em engajamento, trabalho coletivo e continuidade institucional.

O encerramento da programação do dia, com um jantar realizado no Restaurante Italiano do Parque das Etnias, manteve o mesmo espírito. Mais do que um evento social, o encontro funcionou como espaço de convivência entre gerações que ajudaram a construir a feira. Em ambientes assim, longe da formalidade do palco, a Fenasoja revela outra dimensão: a das relações que sustentam sua existência.

No conjunto, a sessão solene não apenas celebrou um aniversário. Ela expôs o que torna a Fenasoja um caso singular no cenário brasileiro. Não é apenas o tamanho do evento ou sua capacidade de atrair público. É a estrutura invisível que o sustenta — feita de vínculos, memória e continuidade. E é justamente essa combinação que explica por que alguns eventos se tornam episódicos, enquanto outros se tornam parte da história de uma região. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Acontece

Lula está usando chapéu em público por recomendação médica
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play