Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Câncer é a primeira causa de morte pela doença em crianças

O câncer infantil é a primeira causa de morte por doença em crianças e a segunda causa de óbito em geral – a primeira seriam os acidentes. Além disso, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que no triênio 2023/2025 ocorrerão, a cada ano, 7.930 novos casos de câncer em crianças e jovens de 0 a 19 anos de idade.

Na quarta-feira (15), data que marcou o Dia Internacional da Luta conta o Câncer Infantil, a oncologista pediátrica do Inca Sima Ferman, chefe da Seção de Pediatria, ressaltou que atualmente a doença é altamente curável. “Essa é a principal informação que a gente tem”, disse.

Em entrevista à Agência Brasil, Sima afirmou que, como a incidência de câncer vem aumentando lentamente ao longo dos anos, ele começa a aparecer como causa importante de enfermidades em crianças. “Como nem todas são curadas, a doença pode ter, na verdade, um percentual de mortalidade infantil também. Os dados mais recentes, de 2020, revelam que foram registrados 2.280 óbitos em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil”, acrescentou a especialista.

Entre os tipos mais comuns de câncer infanto-juvenil estão leucemia, linfoma e tumores do sistema nervoso central. Embora esses três tipos sejam mais frequentes, existe uma gama de tumores, como os embrionários, que ocorrem nos primeiros anos de vida, como os da retina, de rim e de gânglio simpático. “São tumores que acontecem, mais frequentemente, em crianças menores. Mas todos eles são muito diferenciados e respondem bem ao tratamento quimioterápico, normalmente”, reiterou a oncologista.

Para a médica, a doença é muito séria, mas trouxe, ao longo dos anos, uma esperança de busca pela vida. Há possibilidade de cura, se o paciente for diagnosticado precocemente e tratado nos centros especializados de atenção à criança.

Atenção aos sinais

Nos países de alta renda, entre 80% e 85% das crianças acometidas por câncer podem ser curadas atualmente. No Brasil, o percentual é mais baixo e variável entre as regiões, mas apresenta média de cura de 65%. “É menos do que nos países de alta renda porque muitas crianças já chegam aos centros de tratamento com sinais muito avançados”, segundo Sima. Ela reafirmou que o diagnóstico precoce é fundamental. Por outro lado, admitiu que esse diagnóstico é, muitas vezes, difícil, tendo em vista que sinais e sintomas se assemelham a doenças comuns da infância.

O Inca faz treinamento com profissionais de saúde da atenção primária para alertá-los da importância de uma investigação mais profunda, quando há possibilidade de o sinal não ser comum e constituir doença mais séria. Sima lembrou que criança não inventa sintoma e destacou que os pais devem sempre acompanhar a consulta e o tratamento dos filhos e dar atenção a todas as queixas feitas por eles, principalmente quando são muito recorrentes e permanecem por um tempo.

Podem ser sinais de tumores em crianças uma febre prolongada por mais de sete dias sem causa aparente, dor óssea, anemia, manchas roxas no corpo, dor de cabeça que leva a criança a acordar à noite, seguida de vômito, alterações neurológicas, como perda de equilíbrio, e massas no corpo. “São situações em que é preciso estar alerta e que podem levar a pensar em doenças como o câncer”, disse a especialista.

Para os profissionais de saúde da atenção primária, a médica recomendou que eles levem a sério as queixas dos pais e das crianças e acompanhem os pequenos durante todo o período até elucidar a situação para a qual a criança foi procurar atendimento médico. “E, se for o caso, fazer exames mais profundos e ver se há alguma doença que precisa ser tratada”, enfatizou.

Individualização no tratamento

Para cada tipo de câncer, os oncologistas do Inca procuram estudar a biologia da doença, para dar um tratamento que possa levar à chance de cura, com menos efeitos no longo prazo. “Para conseguir isso, temos que saber especificamente como a doença se apresentou à criança e, muitas vezes, as características biológicas do tumor. Isso vai nos guiar sobre o tratamento que oferece mais ou menos riscos para esse paciente ficar curado e seguir a vida”, explicou Sima.

Em geral, o tratamento de um câncer infantil leva de seis meses a dois anos, dependendo do tipo de doença apresentada pelo paciente. Após esse prazo, a criança fica em acompanhamento ou “no controle”, por cinco anos. Se a enfermidade não voltar a se manifestar durante esse período, pode-se considerar o paciente curado. “Cada vez, a chance de a doença voltar vai diminuindo mais. A chance é maior no primeiro ano, quando termina o tratamento, e vai diminuindo mais e mais”, disse a oncologista pediátrica.

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