Sábado, 11 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de abril de 2026
O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, afirmou que pode citar políticos de diferentes partidos caso avance em um acordo de colaboração premiada. Segundo relato atribuído a ele, a decisão dependeria do conteúdo apresentado pelo empresário Maurício Camisotti às autoridades.
“Se ele (Camisotti) não falar tudo, eu vou ter que falar”, disse o Careca do INSS, na manhã dessa sexta-feira (10), a um interlocutor.
Camisotti assinou uma delação premiada com a Polícia Federal (PF). Ele e o Careca do INSS estão presos desde setembro do ano passado. Ambos são apontados como operadores de um esquema envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações indicam a existência de uma estrutura organizada para a realização desses descontos, que teriam atingido beneficiários em diferentes regiões do País.
O caso ficou conhecido como “Farra do INSS” e foi revelado pelo portal Metrópoles. De acordo com as apurações, o esquema envolveria a atuação de intermediários, empresas e possíveis conexões políticas, embora os detalhes ainda estejam sendo analisados pelas autoridades competentes. A apuração segue em andamento e novas informações podem surgir conforme o avanço dos procedimentos investigativos.
O Careca do INSS demonstraria preocupação com a possibilidade de Camisotti atribuir a ele a posição de principal operador do esquema, ao mesmo tempo em que pouparia agentes políticos eventualmente envolvidos. Diante desse cenário, o lobista avalia a possibilidade de também firmar um acordo de colaboração, o que poderia ampliar o escopo das investigações.
Entre os nomes que ele cogita mencionar está o do senador Weverton Rocha (PDT), vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão no fim do ano passado, no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades relacionadas ao caso.
Outro nome citado é o do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Ele é mencionado como suspeito de ter recebido pagamentos do Careca do INSS para atuar em um projeto de canabidiol junto ao governo federal. As circunstâncias e a veracidade dessas suspeitas também são objeto de apuração e não houve, até o momento, conclusão definitiva sobre o caso.
Apesar de cogitar a delação, o Careca do INSS depende do aval das autoridades para formalizar qualquer acordo. Segundo informações divulgadas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, não haveria interesse dos investigadores em um novo acordo caso Camisotti já tivesse firmado colaboração, o que de fato ocorreu. (Com informações do colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles).