Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de fevereiro de 2026
A maneira leve e afiada com que Paolla Oliveira reagiu a comentários sobre uma suposta cirurgia íntima foi suficiente para reacender um debate que insiste em se repetir: por que o corpo das mulheres, sobretudo o das figuras públicas, segue sendo tratado como território de livre especulação? Ao reagir às insinuações, a atriz foi além da negativa e expôs um padrão frequente nas redes sociais, marcado por avaliações estéticas feitas fora de qualquer contexto, sem critério, consentimento ou limite.
O episódio começou quando imagens recentes de Paolla passaram a circular acompanhadas de suposições sobre intervenções cirúrgicas. Sem qualquer confirmação ou manifestação prévia da artista, a conversa ultrapassou rapidamente o campo da curiosidade e avançou sobre questões mais delicadas, como privacidade, responsabilidade profissional e o uso da imagem alheia como vitrine de procedimentos médicos.
O que aconteceu
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a cirurgiã plástica Pamella Andrade analisa fotos da atriz usando maiô e direciona a atenção para a região pélvica, sugerindo uma possível alteração no Monte de Vênus. A partir disso, a médica utiliza a imagem de Paolla como gancho para explicar a lipoaspiração localizada, procedimento voltado à redução de gordura na área íntima.
“E aí, pessoal, o que será que a Paolla Oliveira fez para ter essa mudança na região íntima? Vocês me perguntam, eu tento responder. É claro que a gente não tem como afirmar o que a Paolla fez para poder ter essa mudança muito visível da região íntima, mas, no geral, as pacientes que têm essa região mais gordinha e sentem um incômodo, nós propomos uma lipo, uma lipo do Monte de Vênus. E aí a gente consegue dar uma emagrecida nessa região e deixar a mulher mais confortável para poder usar um maiô desse daí e ficar ainda mais maravilhosa, porque, gente, pode perguntar o que quiser, mas Paolla é Paolla, arrasa em todo o carnaval e merece todo nosso respeito. Estou aqui só para dizer para vocês que ela fez essa mudança, com certeza, está feliz com o corpo e que se você quiser também, você pode”, disse.
A resposta de Paolla veio nos comentários e seguiu o tom que já lhe é característico: espirituosa, direta e sem agressividade. “(risos) Que maravilha! Tanto apreço pela minha região íntima, mas nem sabia que existia essa cirurgia. Um corte diferente de maiô ou uma foto sem o sol do meio-dia podem ajudar também. Beijos!”.
Leitura distorcida
Para o ginecologista e obstetra César Patez, o caso revela uma leitura distorcida e recorrente sobre o corpo feminino. “Mudanças corporais fazem parte da vida e não significam, necessariamente, intervenção estética. Fatores hormonais, variações de peso e até o envelhecimento natural alteram volumes e contornos. Transformar isso em suposição pública é um reflexo de uma cobrança que ainda recai quase exclusivamente sobre as mulheres”, afirma.
Na avaliação do cirurgião plástico Raphael de Faria, qualquer inferência sem confirmação direta carece de fundamento. “Sem uma fala da própria pessoa ou do médico responsável, não existe como afirmar se houve cirurgia. O que se vê em imagens são apenas recortes de um momento, sujeitos a ângulo, iluminação e roupa”, explica. Ele ressalta que o Monte de Vênus apresenta variações naturais e que eventuais tratamentos devem sempre partir de uma avaliação individualizada.
“Em alguns casos, a lipoaspiração localizada é indicada para reduzir o volume da região, mas isso depende de fatores como qualidade da pele e expectativas da paciente. Não é uma decisão estética automática nem uma obrigação”, acrescenta Raphael, destacando que o procedimento só deve ser realizado por cirurgião plástico habilitado. (As informações são de O Globo)
Já a cirurgiã plástica Iara Batalha chama atenção para a forma superficial com que cirurgias são frequentemente tratadas no debate público. “Cirurgia não é tendência nem resposta a comentários externos. Quando falamos em lipoaspiração localizada, estamos falando de indicação médica, planejamento e segurança. O objetivo é harmonia corporal, não atender padrões impostos”, pontua.
Ela também lembra que nem sempre a intervenção cirúrgica é necessária. “Muitas vezes, ajustes no estilo de vida ou no peso já promovem mudanças importantes. A cirurgia entra apenas quando existe um desejo consciente da paciente e uma indicação clara”, conclui.