Quinta-feira, 02 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de abril de 2026
Em busca de um acordo de delação premiada, a defesa de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro – dono do Banco Master -, se reuniu com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master. Zettel foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao banco de Vorcaro.
O encontro aconteceu na última semana, depois que Zettel mudou a equipe de defesa. Os antigos advogados deixaram o caso após divergências sobre a possibilidade de um acordo de delação. O novo advogado de Fabiano Zettel é o advogado Celso Vilardi, que defendeu Jair Bolsonaro no julgamento por golpe de Estado. Ele também já atuou em grandes operações como Lava Jato e Mensalão.
A discordância sobre a estratégia jurídica, especialmente em relação à colaboração com as autoridades, motivou a troca dos advogados. Como Zettel é muito próximo a Vorcaro e teve participação em diversos negócios do banqueiro, uma eventual delação pode causar grande impacto nas investigações. Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel é pastor evangélico e foi o maior doador da campanhas eleitorais do ex-presidente Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com R$ 2 milhões.
Zettel ganhou destaque no empreendedorismo, especialmente com marcas de rede de alimentos, e uma academia de luxo. De acordo com a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Celular de Vorcaro
Peritos envolvidos na análise dos celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontraram mais de 8 mil vídeos nos aparelhos. O material foi extraído de nove smartphones ligados ao banqueiro, obtidos ao longo das diferentes fases da investigação. Além desses vídeos, há grande quantidade de outros tipos de arquivos digitais sob análise.
O volume de dados inclui registros pessoais e profissionais, com arquivos que vão desde registros antigos até conteúdos mais recentes. Os peritos estão separando conteúdos pessoais e interações corriqueiras do que realmente importa para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise demanda tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, dizem pessoas com acesso ao processo.
Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades, por exemplo, vêm sendo selecionadas e analisadas. A avaliação, no entanto, é que registros de presença em eventos e encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades. Por isso, o material tem sido tratado com cautela pelos investigadores, sendo necessário cruzá-lo com outros elementos de prova para verificar eventual relevância para a apuração.
A avaliação de pessoas com acesso ao material é que, à medida que os arquivos forem examinados, novas frentes de apuração possam ser abertas, inclusive com base em elementos ainda não identificados nas etapas iniciais do caso.
Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, onde negocia um acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. A expectativa entre pessoas envolvidas no processo é que a eventual delação contribua para esclarecer pontos ainda pendentes da investigação, especialmente aqueles que não puderam ser totalmente reconstruídos a partir do material apreendido.