Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de fevereiro de 2026
Às vésperas do fim do recesso do Congresso Nacional, a eclosão do caso Master tem provocado abalos tanto à direita quanto à esquerda. Mas há divergências na Esplanada dos Ministérios e nas fileiras bolsonaristas a respeito da estratégia ideal de enfrentamento à crise acirrada após a constatação de envolvimento de políticos no esquema sob investigação.
Como revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, material reunido pela Polícia Federal (PF) na primeira fase da operação “Compliance Zero” – que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro – contém referências a líderes partidários e altas autoridades.
A tensão é suprapartidária. Enquanto, encorajado por pesquisas de opinião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado apoio às investigações, aliados alertam para o risco de tremores na base governista e na relação com os demais Poderes, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF).
Até colaboradores diretos do presidente advertem para ameaças advindas da fragilização de magistrados no ano em que indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estarão à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Mas o governo tem vendido a ideia de que que as investigações devem prosseguir. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, são apontados como defensores dessa linha, que conta ainda com o apoio de Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação da Presidência).
Sobre essa estratégia, há uma avaliação de que os desdobramentos do caso propiciam a consolidação da imagem de que Lula enfrenta os poderosos.
No ano passado, contudo, Lula foi informado da relação entre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) e um sócio do Master, bem como dos contratos do banco com o governo da Bahia. Foi tranquilizado pelo senador e pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, quanto aos riscos de envolvimento no esquema.
A avaliação, dentro do governo, é que o caso pode até respingar em aliados, mas atinge diretamente dirigentes do Centrão e da oposição. Isso não evita descompassos. Em recente entrevista à rede CNN, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), se declarou contra a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.
Oposição
Na oposição não tem sido diferente. O trânsito de Vorcaro entre dirigentes dos partidos do centrão estaria inibindo discursos contra o governo. Um dos políticos mais próximos do banqueiro, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), submergiu. Ele atuou no Congresso em defesa de interesses do dono do Master.
Na sexta-feira (30), o PL – partido de Bolsonaro – publicou nas redes sociais uma peça de propaganda em que tentava atribuir a origem do escândalo ao governo Lula. Fontes internas revelam, porém, que a estratégia foi criticada até mesmo por integrantes do partido.
O risco no radar da oposição é o de o caso atingir importantes líderes do Centrão. A leitura em Brasília é a de que Vorcaro, com a contraofensiva, tentou mostrar que tem munição contra políticos e autoridades de todos os matizes. Em depoimento à PF, o banqueiro, ao ser questionado sobre sua relação com poderosos, aproveitou para dizer que tem “alguns amigos em todos os Poderes”.
A despeito da extensa lista de pessoas influentes que faziam parte do círculo de amizades e frequentavam os luxuosos eventos patrocinados pelo Master no Brasil e no exterior, Vorcaro está se sentindo abandonado pelos amigos, segundo relatos colhidos pela Folha.
À medida que os detalhes do esquema vêm à tona, o banqueiro virou uma personagem radioativo, do qual o mundo político quer mais é ficar distante.
Mas, apesar da escalada da tensão nos útimos dias, a expectativa é que o inquérito envolvendo políticos acabe ficando sob a responsabilidade do STF, mantendo também sob controle a disputa política entre cortes superiores, juízes e procuradores nos estados. (com informações da Folha de S.Paulo)