Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de janeiro de 2026
O colapso do Banco Master revelou um escândalo que vai além do setor financeiro e expôs as conexões entre banqueiros, políticos e membros do Judiciário em Brasília. A percepção foi publicada pela revista britânica The Economist, segundo a qual, o episódio provocou um abalo de confiança generalizado nas instituições do país.
Conforme a revista, o empresário Daniel Vorcaro, que assumiu o comando do banco em 2019, levava uma vida de luxo enquanto a instituição crescia rapidamente oferecendo certificados de depósito com juros excepcionalmente altos. Posteriormente descobriu-se que o banco não tinha liquidez e havia vendido ativos sem valor por bilhões de dólares. A The Economist destaca que essa falta de liquidez foi constatada quando o Master tentou vender o banco para o BRB (Banco Regional de Brasília) e que o custo maior recaiu sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) brasileiro, que terá de pagar entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões aos depositantes, — a maior indenização do tipo na história do Brasil.
A crise ganhou contornos políticos, citou a revista, quando integrantes do Congresso e do Tribunal de Contas questionaram a decisão do Banco Central de liquidar o banco, numa interferência considerada incomum. Investigações revelaram ainda relações próximas entre o Banco Master e figuras influentes, incluindo políticos do Centrão e ministros do Supremo Tribunal Federal, o que reforçou, segundo a revista, a percepção pública de falta de imparcialidade nas instituições.
A revista destaca ainda que, apesar disso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, saiu fortalecido ao resistir às pressões políticas e defender maior autonomia da autoridade monetária.
Entenda
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição tinha problemas de liquidez e usava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como modelo de negócio. No depoimento, segundo informações que constam da transcrição feita via inteligência artificial, o dono do Master afirmou que o banco atravessava uma crise de liquidez.
Isso acontece quando uma pessoa, empresa ou banco não consegue honrar compromissos ou pagar dívidas por falta de dinheiro em caixa. Vorcaro afirmou à PF que isso era uma situação momentânea, e não estrutural, e que o Master cumpriu com todos os compromissos até 17 de novembro. A liquidação ocorreu um dia depois. Segundo Vorcaro, os problemas de liquidez do banco foram provocados por mudanças em regras sobre o FGC. O dono do Master sugeriu que houve pressão de outros bancos. Ele não detalhou que mudanças seriam essas.
FGC é a sigla para Fundo Garantidor de Créditos. É uma espécie de “SOS” mantido com os recursos dos próprios bancos, que protege clientes em casos de intervenção ou quebra de uma instituição financeira. Em 30 anos, já foram 40 casos. O pagamento aos investidores do Banco Master deverá ser o maior da história do FGC: R$ 41 bilhões, divididos entre quem tinha aplicações de até R$ 250 mil.
Quando decretou a liquidação do Master, o BC apontou exatamente a falta de liquidez do banco, além de graves violações às normas do sistema financeiro. Segundo Vorcaro, o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado, porque essa era a regra do jogo. Ele disse que essas mudanças forçaram o Master a buscar outros meios de captar dinheiro no mercado, e que aí o banco foi alvo de uma campanha para destruir sua reputação.