Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Caso Toffoli escancara desconfiança entre Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Supremo no inquérito do Banco Master

Os bastidores da entrega do relatório de cerca de 200 páginas sobre as conexões entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pela Polícia Federal (PF), escancaram um ambiente de desconfiança entre a corporação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria Corte. Toffoli era o relator do caso Master no Supremo até deixar a função, sob forte pressão dos colegas do STF.

Fachin recebeu o material diretamente das mãos do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na segunda (9), mas a informação só foi revelada pela imprensa na quarta (11). O documento lista uma série de informações encontradas no celular do dono do Banco Master, apreendido em novembro passado – como diálogos, ligações e evidências de pagamentos feitos a Toffoli pelo grupo do banqueiro.

O procurador-geral Paulo Gonet, porém, só soube do conteúdo na quinta-feira (12), quando recebeu o documento enviado por Fachin para manifestação, e depois que Toffoli já tinha divulgado uma nota pública dizendo que o documento da PF estava cheio de ilações e afirmando que a corporação não tinha poder para pedir a sua suspeição no processo – algo que a PF não fez, embora tenha apontado diversos pontos de conflito de interesse e indícios de crimes passíveis de investigação.

Rodrigues chegou a avisar Gonet por telefone de que entregaria um relatório a Fachin comunicando “achados” da PF sobre Toffoli. Não deu detalhes e nem o chefe do Ministério Público Federal (MPF) perguntou.

Embora Andrei não tivesse obrigação de dividir o conteúdo com o PGR, e sempre afirme que a PF e a Procuradoria atuam “em harmonia mas com independência”, o fato de ele não ter ao menos discutido o caso com a autoridade que é parceira na investigação e terá que opinar sobre o afastamento de Toffoli foi encarado como demonstração de desconfiança tanto no MPF como no Supremo.

No relatório há desde ligações e diálogos em que Toffoli marca encontros com Vorcaro, um convite de aniversário enviado por ele ao banqueiro e conversas sobre pagamentos ao ministro realizados no final de 2024 e que somam R$ 20 milhões. Após o movimento da PF, o magistrado admitiu pela primeira vez ter sido sócio do hotel em Ribeirão Claro (PR) junto de outros dois irmãos, José Carlos e José Eugênio, e Mario Umberto Degani, seu primo.

Perícia refeita 

Esse fluxo tortuoso de comunicação reflete um clima de tensão e suspeita que se arrasta desde que Toffoli assumiu o processo em novembro passado, atendendo a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Até então, o caso tramitava na primeira instância.

O acirramento dos ânimos vem escalando desde o fim do ano, mas o ápice se deu em janeiro passado, quando o ministro do Supremo barrou o acesso dos investigadores da PF ao material apreendido pela Operação Compliance Zero, o que provocou diversas críticas internas.

Pouco antes, Toffoli havia acusado a PF de “inércia” e “falta de empenho” no caso ao autorizar as diligências. Diante da repercussão, recuou e autorizou o acesso do MPF ao material. Por último, liberou a perícia da PF, mas restrita a quatro agentes indicados por ele.

Gonet 

Com a repercussão do relatório, a pressão também se voltou contra a PGR, que já havia se manifestado duas vezes contra a suspeição do ministro após ser provocada por partidos políticos.

Diante desse histórico, há um ceticismo generalizado entre os investigadores sobre a real disposição do procurador-geral para afastar Toffoli – e isso apesar de integrantes do Supremo considerarem que as revelações do relatório são “nitroglicerina pura”.

Gonet é muito próximo do decano do STF, Gilmar Mendes, que fez uma defesa enfática de Toffoli nas redes sociais, destacando a posição contrária da PGR à suspeição. Sua indicação para a chefia do MPF também foi apadrinhada por Alexandre de Moraes, outro ministro que está sob forte escrutínio em função do contrato de R$ 129 milhões firmado entre sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o banco de Vorcaro.

Na quinta, Toffoli dobrou a aposta contra a PF determinando o envio a ele os dados de todos os celulares apreendidos na investigação. Em resumo, ele mandou que os investigadores entregassem a ele todos os dados que podem incriminá-lo.

Também na quinta, Fachin se reuniu a portas fechadas com seus colegas e discutiu o relatório da PF diante de Dias Toffoli, que acabou deixando o caso diante de seu isolamento entre os demais integrantes da Corte – um sorteio definiu André Mendonça como o novo relator. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)

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