Segunda-feira, 16 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de março de 2026
Pelo menos 675 crianças imigrantes foram mantidas por mais de 20 dias em um centro de detenção no sul do Texas de janeiro a outubro de 2025, segundo dados do governo dos Estados Unidos analisados pela Folha. Entre elas estão 11 brasileiras.
A duração das prisões viola a diretriz estabelecida no chamado Acordo Flores, uma decisão judicial de 1997 que criou parâmetros para o tratamento de imigrantes menores de idade.
O South Texas Family Residential Center, na cidade de Dilley, virou alvo de protestos depois que um menino equatoriano de cinco anos foi preso, em janeiro, por agentes federais de imigração ao voltar da pré-escola em Minnesota. Liam Conejo Ramos foi liberado em fevereiro, após comoção popular e protestos.
Desenho colorido de uma casa vermelha com telhado marrom, duas janelas e uma porta. No telhado, há uma janela com uma figura humana desenhada. À direita, uma árvore verde com tronco marrom. No canto superior esquerdo, um sol amarelo com raios. Texto escrito à mão diz “I am 9 years old” e “our house”.
Os dados foram fornecidos pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA para o Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia, via lei de acesso à informação americana.
No período analisado, 1.859 menores passaram a maior parte de suas detenções no centro de Dilley. Isso inclui crianças que foram detidas em outros estados, como Massachusetts, e enviadas ao Texas. Ou seja, pouco mais de um terço desse total permaneceu na instalação além dos 20 dias permitidos.
Um deles é um menino brasileiro nascido em 2023, que ficou 44 dias detido no Texas antes de ser deportado para o Brasil. Outros dez menores brasileiros ficaram em Dilley por períodos que variam de 21 a 34 dias.
O número de menores que excederam o tempo permitido pode ser maior, uma vez que há 240 registros de detenções sem data de saída – o que pode indicar um erro de preenchimento ou que as crianças continuavam detidas à época de extração dos dados, em outubro de 2025. Na segunda hipótese, o número salta para 915, quase metade das detenções.
No caso de pelo menos quatro crianças, a Folha confirmou que elas estão detidas há oito meses. A situação da família da egípcia Hayam El Gamal é diferente da maior parte dos outros imigrantes detidos na instalação.
Mohamed Soliman, marido de Hayam, foi preso em junho passado, acusado de lançar um coquetel molotov contra um grupo de manifestantes que defendia a libertação de reféns israelenses em Boulder, cidade do Colorado.
No dia 3 de junho, a família inteira foi detida. Na época, os filhos tinham idades de 5 a 17 anos. A menina mais velha completou 18 anos em Dilley. Os egípcios chegaram aos EUA em 2022 e fizeram um pedido de asilo que concedeu permissão para que permanecessem no país até setembro do ano seguinte, afirma comunicado do governo Donald Trump.
Embora tivessem autorização para trabalhar, passaram a ser considerados em situação migratória irregular por terem excedido o prazo do visto – algo comum em casos de pedidos de asilo ainda pendentes. (Com informações da Folha de S.Paulo)