Quarta-feira, 06 de maio de 2026

Chanceler depõe no Senado sobre a atuação do Brasil no conflito entre Israel e Hamas

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado recebeu nesta quarta-feira (18) o ministro Mauro Vieira, do Itamaraty, para uma audiência sobre a atuação do Brasil no conflito entre Israel e a organização extremista palestina Hamas.

O chanceler afirmou que o País conquistou uma “vitória diplomática” ao liderar uma proposta de cessar-fogo no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), apesar de ela não ter sido aprovada. Também disse que a prioridade do governo neste momento é a retirada dos brasileiros que estão na zona de conflito. O Brasil está na presidência do CSNU e conduziu a elaboração de uma proposta de resolução que pedia cessação das hostilidades, segurança para crianças e idosos, liberação de estrangeiros e permissão para a entrada de recursos assistenciais para a população local.

Doze dos 15 membros do Conselho apoiaram a proposta, incluindo China e França, que são membros permanentes. Os Estados Unidos votaram contra e, como também são um membro permanente, a rejeição representa veto à proposta. Mauro Vieira explicou que alcançar um número de votos suficientes para a aprovação de uma resolução no CSNU é raro, e, por isso, o esforço do Brasil deve ser visto como bem-sucedido. O motivo do veto americano foi a ausência, no texto da proposta, de uma menção ao direito de Israel à autodefesa.

“Não temos uma resolução aprovada [no CSNU] desde 2016, e na maioria das vezes não há número suficiente [de votos]. Só se produz o veto se há condições de [a proposta] ser aprovada. Foi um caso único. Foi uma vitória diplomática brasileira ter conseguido reunir 12 países que uniram forças com o Brasil. É uma grande conquista”, disse.

O chanceler observou também que uma nova tentativa de resolução pode ser feita, mas será preciso esperar “novas circunstâncias”. A presidência do Brasil tem duração de apenas um mês e se encerra no final de outubro.

Vieira explicou que a operação para retirada dos brasileiros que desejam sair de Israel está “em estágio avançado”. A expectativa do Itamaraty é retirar cerca de 1500 pessoas na primeira fase da Operação Voltando em Paz, dedicada a turistas, e depois atender os que moram no país. São cerca de 14 mil brasileiros residentes em Israel e outros 6 mil na Palestina, a maioria na Cisjordânia.

“O Brasil foi o primeiro país a iniciar uma operação de repatriação de nacionais, com altíssima eficiência. Temos cidadãos em necessidade de assistência dos dois lados do conflito. É nosso dever e prioridade atender a ambos o mais rapidamente possível. A determinação do presidente da República é não deixar nenhum brasileiro para trás. Quero agradecer ao apoio de muitos parlamentares que entraram em contato e nos ajudaram a identificar pessoas que precisam de ajuda, tanto em Israel quanto na Palestina”, complementou.

Senadores de oposição questionaram o chanceler pela postura que consideraram insuficiente da diplomacia brasileira contra o Hamas. Apesar de elogiarem o esforço de repatriação dos brasileiros, os parlamentares disseram desaprovar o fato de o Brasil não ter classificado o Hamas como um grupo terrorista.

Para o senador Carlos Viana (Podemos-MG), o Brasil “precisa repensar a sua política externa”.

“No momento em que o Brasil propõe um acordo sem observar os crimes que foram cometidos em Israel, estamos dando apoio político e diplomático a terroristas. Condenar os ataques não é suficiente. A proposta apresentada não inclui apoio a desarmar o Hamas. Não se refere ao direito de Israel se defender. O Brasil não pode tergiversar sobre isso”.

O senador Sergio Moro (União-PR) também se disse insatisfeito, destacando que cidadãos brasileiros estão entre os mortos nos ataques promovidos pelo Hamas.

“Eu exigiria uma posição mais dura da diplomacia brasileira sobre esses fatos. As notas do Itamaraty estão abaixo do tom necessário. Falam em falecimento [dos brasileiros], mas não nomeiam os responsáveis”.

Mauro Vieira explicou que o Brasil segue a posição da Organização das Nações Unidas, que não classifica o Hamas como um grupo terrorista. O chanceler também argumentou que adotar uma postura mais dura poderia dificultar as negociações tanto para repatriar brasileiros quanto no âmbito do Conselho de Segurança. Também disse que a prática diplomática brasileira é de “diálogo”, sem assumir “posições políticas”.

Ao final da reunião com Mauro Vieira, a CRE aprovou requerimento convidando o ex-chanceler Celso Amorim, atualmente assessor especial da Presidência da República, para participação uma audiência na comissão. Moro afirmou que Amorim também é “personagem relevante” na diplomacia brasileira e merece ser ouvido sobre a situação em Israel.

 

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