Domingo, 31 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de maio de 2026
Cinco pacientes diagnosticados com um tipo raro de ebola se recuperaram da doença na República Democrática do Congo, informou neste domingo (31) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante visita à cidade de Bunia, no leste do país, considerada o epicentro do atual surto.
A declaração foi feita durante a inauguração de um novo centro de tratamento para pacientes infectados pelo vírus. Segundo Tedros, quatro pessoas receberam alta médica neste domingo, enquanto uma quinta havia deixado o hospital dois dias antes.
“Quatro pessoas receberão alta hoje e uma recebeu alta anteontem”, afirmou o chefe da OMS. “Ainda estamos trabalhando no desenvolvimento de vacinas e tratamentos, mas isso não significa que as pessoas não possam se recuperar do ebola”, acrescentou.
Na sexta-feira (29), a OMS já havia informado a recuperação de um paciente infectado pelo vírus Bundibugyo, variante responsável pelo surto atual. Trata-se da primeira recuperação documentada de um caso confirmado da doença desde o início da atual epidemia. Até o momento, não há vacina nem tratamento específico aprovados para essa cepa do vírus.
Dados oficiais mais recentes apontam 906 casos suspeitos da doença e 223 mortes sob investigação na República Democrática do Congo. No país vizinho, Uganda, autoridades sanitárias confirmaram nove casos e uma morte relacionada ao surto.
Apesar do reforço das equipes médicas e da melhoria na estrutura de atendimento, organizações humanitárias alertam para a rápida propagação da doença. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que o vírus continua avançando mais rapidamente do que a capacidade de resposta das autoridades e pediu a ampliação dos testes, o envio urgente de profissionais e o fortalecimento do abastecimento de insumos médicos.
A situação também é agravada pela resistência de parte da população aos protocolos sanitários adotados para o sepultamento das vítimas. Segundo organizações que atuam na região, os procedimentos entram em conflito com tradições funerárias locais, o que tem gerado tensão e episódios de violência. Pelo menos três ataques contra centros de saúde já foram registrados.
Durante a visita a Bunia, Tedros destacou a importância da participação das comunidades no combate à doença e incentivou a procura precoce por atendimento médico.
“Se você procurar atendimento em um centro de saúde ao apresentar sintomas, poderá receber o apoio necessário e se recuperar. O essencial é buscar ajuda o mais cedo possível”, afirmou.
Além dos desafios sanitários, a resposta ao surto enfrenta dificuldades causadas pela instabilidade na região. Grupos armados continuam atuando no leste do Congo, dificultando o acesso das equipes humanitárias. No sábado (30), combatentes das Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo rebelde associado ao Estado Islâmico, mataram sete pessoas na cidade de Beni, na província de Kivu do Norte, área também afetada pelo surto de ebola.