Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de fevereiro de 2026
Os chefes dos fundos de previdência estaduais com as maiores aplicações em letras financeiras do Banco Master são nomes com conexões ou trabalhos anteriores na área política, segundo informações da Folha de S.Paulo.
Trata-se dos casos do presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, alvo de operação da Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (6), e do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, preso em uma ação da corporação na terça (3).
As duas instituições respondem pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Amapá e Rio de Janeiro, respectivamente.
Dados do Ministério da Previdência Social divulgados em novembro apontam que a Amprev direcionou R$ 400 milhões para letras financeiras do Master, atrás apenas do Rioprevidência, com R$ 970 milhões. O balanço considera o período entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
As letras financeiras não têm garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ou seja, há risco de prejuízos para as instituições após a liquidação do Master, que está envolvido em suspeitas de um amplo esquema de irregularidades.
Alcolumbre
A Amprev anunciou a chegada de Jocildo Silva Lemos à presidência da entidade em janeiro de 2023. Ao receber um prêmio em um evento no ano seguinte, ele declarou que foi convidado para o cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP).
O parlamentar voltou à presidência do Senado após ser eleito em fevereiro de 2025 e não esteve entre os alvos da operação de sexta da PF.
Jocildo já atuou como tesoureiro da campanha do senador e teria representado o parlamentar na entrega de obras no estado, conforme a imprensa local.
Em um perfil da Liesap (Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá) nas redes sociais, há postagens com fotos dos dois juntos e elogios ao trabalho de Alcolumbre. Jocildo é presidente da organização.
A Amprev tem ainda Alberto Alcolumbre, irmão do senador, como conselheiro fiscal. Ele não é alvo da operação da PF nesta sexta.
O governo do Amapá se manifestou por meio de uma nota na qual não menciona o nome do presidente do Senado.
O comunicado afirma que a Amprev se sente lesada pelo Banco Master e não abre mão de ser ressarcida. “Por isso, já ingressou com todas as medidas judiciais cabíveis, conseguindo, inclusive, o bloqueio de pagamentos ao banco”, diz a nota.
Conforme o governo estadual, os investimentos realizados no Master foram validados pelo BC (Banco Central) e representam 4,7% da carteira da instituição.
Rioprevidência
Já o Rioprevidência foi presidido por Deivis Marcon Antunes no período de julho de 2023 a janeiro de 2026, quando o advogado pediu demissão e foi exonerado pelo governador Cláudio Castro (PL).
Pessoas ligadas à política fluminense disseram à reportagem que a indicação de Deivis e outros diretores teria saído do União Brasil – partido da base da gestão Castro e mesma legenda de Alcolumbre no Amapá. A defesa do ex-presidente nega.
Segundo a Folha, Deivis, antes de migrar para o Rioprevidência, foi nomeado em janeiro de 2022 para um cargo em comissão de assessor-chefe na Secretaria de Estado de Transportes. A exoneração foi formalizada um ano depois, em janeiro de 2023. Os registros aparecem no Diário Oficial do Rio de Janeiro.
A passagem pela secretaria, contudo, não é citada no currículo de Deivis ainda disponível em uma versão antiga do site do Rioprevidência. O endereço atual já não contém mais as informações do ex-presidente.
No período da nomeação para o cargo em comissão, a pasta de Transportes do governo Castro era comandada pelo advogado André Nahass. Ele foi nomeado secretário em novembro de 2021 e exonerado em dezembro de 2022.
O advogado substituiu na secretaria estadual o atual deputado federal Juninho do Pneu (União-RJ), que havia sido indicado pelo antigo DEM, como apurou a Folha em junho de 2021. O DEM daria origem ao União Brasil na sequência, a partir de uma fusão com o PSL.
Em nota, o escritório de Nahass afirmou que Deivis foi convidado para participar da equipe da Secretaria de Transportes no período de novembro de 2021 a dezembro de 2022 por ser um advogado qualificado, com mestrado.
A defesa do ex-presidente negou em um comunicado que ele tenha sido indicado para o Rioprevidência por motivos políticos. Segundo o comunicado, Deivis era um quadro técnico.
A defesa citou o trabalho do advogado na Secretaria de Transportes e disse que ele já era conhecido por seu currículo com formação na área de RPPS (Regime Próprio de Previdência Social).
Na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), deputados de oposição a Castro pedem a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as nomeações de ex-diretores do fundo local e as operações com o Master. (Com informações da Folha de S.Paulo)