Segunda-feira, 09 de março de 2026

Cientistas descobrem “interruptor secreto” do corpo que desliga inflamações

Uma descoberta liderada por pesquisadores da UCL (University College London) pode representar um avanço importante no combate à inflamação crônica, condição associada a doenças como artrite, problemas cardiovasculares e diabetes.

Publicado na revista Nature Communications, o estudo identificou um mecanismo natural do próprio organismo capaz de limitar a inflamação sem comprometer o funcionamento global do sistema imunológico.

A inflamação é uma resposta essencial contra infecções e lesões. No entanto, quando não é desligada adequadamente, pode se tornar persistente e contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas. O novo estudo mostra que pequenas moléculas derivadas de gordura, chamadas epóxi-oxilipinas, atuam como um verdadeiro freio biológico da resposta imune.

“Nossas descobertas revelam uma via natural que limita a expansão prejudicial de células imunológicas e ajuda a acalmar a inflamação mais rapidamente. Direcionar esse mecanismo pode levar a tratamentos mais seguros que restaurem o equilíbrio imunológico sem suprimir a imunidade de forma geral”, afirmou Olivia Bracken, primeira autora do trabalho, em nota da universidade

Para compreender o mecanismo em ação, os pesquisadores realizaram um experimento controlado com voluntários saudáveis.

Os participantes receberam uma pequena injeção de bactérias E. coli inativadas por radiação ultravioleta no antebraço, provocando uma reação inflamatória temporária caracterizada por dor, vermelhidão, calor e inchaço.

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um recebeu o medicamento GSK2256294 antes do início da inflamação, em estratégia preventiva. O outro recebeu o fármaco quatro horas após o surgimento dos sintomas, simulando uma abordagem terapêutica convencional.

O medicamento atua bloqueando uma enzima chamada epóxido hidrolase solúvel, conhecida como sEH, responsável por degradar as epóxi-oxilipinas no organismo. Os resultados indicaram que o bloqueio dessa enzima elevou os níveis das moléculas protetoras, reduziu significativamente os monócitos intermediários, um tipo específico de glóbulo branco, no sangue e nos tecidos, e acelerou a resolução da dor.

“Os monocitos intermediários são glóbulos brancos que ajudam a combater infecções e reparar tecidos. Em episódios breves, coordenam a resposta imunológica e apoiam a recuperação; porém, quando persistem ou se expandem em excesso, mantém o sistema imunológico ativado, levando à inflamação crónica”, afirmou a UCL, em nota.

Curiosamente, o tratamento não alterou de maneira relevante os sinais externos da inflamação, como vermelhidão e inchaço. Por causa disso, sugeriu que o mecanismo atua de forma mais direcionada na regulação celular do que nos sintomas visíveis.

Testes adicionais mostraram que uma das epóxi-oxilipinas, chamada 12,13-EpOME, atua desligando um sinal proteico conhecido como p38 MAPK, envolvido na transformação dessas células inflamatórias. O professor Derek Gilroy destacou a relevância do estudo por ter sido conduzido inteiramente em humanos.

Possíveis impactos

A pesquisa abre caminho para ensaios clínicos com inibidores da enzima sEH em doenças como artrite reumatoide e enfermidades cardiovasculares. Sobre essa possibilidade, Bracken explicou que a estratégia pode ser testada em combinação com tratamentos já existentes.

“Por exemplo, a artrite reumatoide é uma condição na qual o sistema imunológico ataca as células que revestem as articulações. Os inibidores da sEH poderiam ser avaliados juntamente com medicamentos atuais para investigar se ajudam a prevenir ou retardar os danos articulares causados pela doença”, explicou Olivia Bracken no comunicado oficial.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Por que ainda não é possível saber se a polilaminina está fazendo paraplégicos voltarem a andar
Conheça o alimento que oferece mais potássio do que uma banana
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play