Sexta-feira, 08 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de maio de 2026
A PF (Polícia Federal) citou conversas sobre o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, bancar restaurantes, cartão e viagem internacional ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). O parlamentar foi alvo de uma nova fase da operação Compliance Zero nessa quinta-feira (7).
As investigações apontam que Ciro era “destinatário central das vantagens indevidas” de Vorcaro por intermédio de uma pessoa jurídica. Essas vantagens abrangiam disponibilização gratuita de imóvel de elevado padrão, por tempo indeterminado, e pagamento de hospedagens, deslocamentos e despesas inerentes a viagens internacionais de alto custo.
“Tais vantagens teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”, diz trecho da representação.
“Quem cometeu ilícito que pague”, diz Ciro Nogueira sobre caso Master
As diárias no Park Hyatt New York podem chegar a R$ 172 mil na categoria mais cara, dependendo da temporada reservada. O hotel de luxo fica na região do Central Park, em Nova York, nos Estados Unidos.
A PF diz também que o cartão teria sido disponibilizado para cobrir despesas pessoas de Ciro Nogueira. Em troca de mensagens entre Léo Serrano, apontado como intermediário das operações, e Vorcaro, o ex-banqueiro confirmava a utilização do meio de pagamento.
* Léo: “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”
* Daniel Vorcaro: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.
Ainda há indícios, segundo a PF, que o senador adquiriu uma participação societária, que valia R$ 13 milhões, pelo valor de R$ 1 milhão, além de receber mensalmente R$ 300 mil – segundo relatos, esse repasse chegou a R$ 500 mil. As movimentações teriam sido feitas por intermédio de uma pessoa jurídica.
A defesa de Ciro Nogueira encaminhou uma nota à CNN Brasil repudiando “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.”
“Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, continuou.
Investigação
A Policia Federal apontou, em relatório enviado ao STF, que Ciro Nogueira recebeu “vantagens indevidas” de Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Segundo o documento, o parlamentar teria apresentado uma emenda com objetivo de ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo investigadores, o instrumento teria sido elaborado com participação de integrantes do Banco Master.
No documento que autoriza a operação, Raimundo Nogueira aparece “individualizado como agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar do senador”.
Ao todo são cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, nesta quinta fase da operação. (Com informações da CNN Brasil)