Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de janeiro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém dúvidas sobre a criação imediata do Ministério da Segurança Pública, diante da saída do ministro Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça. A decisão envolve fatores políticos, institucionais e orçamentários, e segue em avaliação no Palácio do Planalto.
Segundo relatos de interlocutores, Lula estaria mais inclinado a aguardar a tramitação e eventual aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública antes de anunciar a nova pasta. A avaliação interna é de que a PEC poderia garantir bases legais mais sólidas e fontes de financiamento estáveis, permitindo que o eventual ministério tenha instrumentos efetivos para atuar no enfrentamento ao crime organizado e na coordenação das políticas nacionais de segurança.
Em conversas realizadas ao longo do fim de semana, o presidente voltou a afirmar que prefere não antecipar a criação do ministério sem que haja clareza sobre suas atribuições e recursos. Na visão de Lula, lançar a nova estrutura antes da aprovação da PEC poderia gerar expectativas imediatas por resultados que dificilmente seriam atendidas no curto prazo, o que acabaria ampliando críticas ao governo em uma área considerada sensível e apontada como um dos desafios da atual administração.
Ainda assim, há resistência dentro do próprio governo a essa estratégia de espera. Uma ala do Planalto e integrantes da equipe ministerial defendem a criação imediata do Ministério da Segurança Pública, argumentando que a simples existência da pasta já permitiria iniciar o processo de estruturação administrativa, planejamento e articulação federativa. Secretários estaduais de Segurança Pública também participam desse movimento, sustentando que a antecipação ajudaria a organizar ações integradas e a dar maior visibilidade política ao tema.
Cotados
Caso Lula opte por manter a atual configuração institucional, com a segurança pública permanecendo sob a alçada do Ministério da Justiça, alguns nomes são apontados como possíveis sucessores de Lewandowski. Entre os mais citados estão o ministro da Educação, Camilo Santana, e Wellington Cesar Lima e Silva, que já ocupou o cargo de ministro da Justiça e atualmente atua na Petrobras, após passagem pela Secretaria de Assuntos Jurídicos do governo.
Outro nome mencionado nos bastidores é o do advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, formado por juristas próximos ao presidente. Ele conta com apoio de setores do PT, mas, neste momento, estaria fora da disputa por decisão pessoal. Ainda assim, seu nome continua sendo lembrado por interlocutores de Lula. (Com informações do colunista Valdo Cruz, do portal de notícias g1)