Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Com dólar volátil e IOF de 3,5%, mais brasileiros buscam contas globais e cartões multimoeda para reduzir custos

Com o dólar volátil e ainda acima dos níveis pré-pandemia, cada centavo na conversão faz diferença no orçamento de quem viaja ao exterior. Em 2025, mais de 25 milhões de brasileiros embarcaram para fora do País, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e o turismo internacional voltou a bater recordes, puxado principalmente por destinos na América do Sul, como a Argentina. A viagem segue como prioridade, mas em 2026 o foco mudou. A meta é gastar melhor e reduzir o impacto do câmbio na fatura.

A forma de pagar no exterior deixou de ser um detalhe operacional e virou parte estratégica do planejamento financeiro. Cartões de crédito internacionais ainda são amplamente utilizados, mas contas globais e cartões multimoeda ganharam espaço. O dinheiro em espécie, por sua vez, perdeu protagonismo.

Por que o cartão de crédito tradicional costuma sair mais caro?
Apesar da praticidade, o cartão de crédito internacional tende a concentrar custos que nem sempre são percebidos no momento da compra. Manuel Beaudroit, CEO da belo, carteira global focada em pagamentos internacionais, explica que o problema não é usar o cartão, “mas usar sem entender o custo real daquela conversão”.

Segundo ele, pequenas taxas acumuladas ao longo da viagem podem gerar um impacto relevante no orçamento, e muitas vezes o viajante só percebe isso quando a fatura do cartão chega.

O planejador financeiro Diego Endrigo, CFP pela Planejar, detalha os três fatores que tradicionalmente encarecem a operação. “Primeiro, há a incidência de IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] sobre compras internacionais, conforme regra da Receita Federal”, explica. Segundo, existe o spread cambial (diferença entre o preço de compra e o preço de venda) um adicional aplicado pela instituição financeira sobre a cotação do dólar. “Terceiro, a conversão da compra não ocorre no dia do gasto, mas na data de fechamento da fatura”, acrescenta.

Essa dinâmica faz com que o consumidor assuma o risco da variação cambial. Se o dólar subir entre a compra e o fechamento da fatura, o valor final aumenta. A combinação desses fatores pode deixar o custo significativamente acima do dólar comercial.

No entanto, o IOF foi equalizado em 3,5% para operações internacionais, tanto no crédito quanto no débito. Carlos Castro, também planejador financeiro CFP pela Planejar, pondera que isso altera a lógica antiga.

O spread, margem adicionada pela instituição financeira sobre a cotação, pode variar de 1% a 5%, dependendo do banco ou da fintech. E é justamente aí que mora a principal diferença de custo.

Contas globais e cartões multimoeda: como funcionam
As contas globais permitem que o cliente compre moeda estrangeira previamente e mantenha saldo em dólar (ou em outras moedas), usando um cartão de débito vinculado a esse saldo. Entre os principais players do mercado estão a Wise e a Nomad.

A principal vantagem está na previsibilidade. “O imposto incidente na compra da moeda é menor do que no cartão de crédito, e o câmbio é travado no momento da conversão”, explica Endrigo. Assim, o cliente sabe exatamente quanto pagou e elimina o risco de mudança nos valores na data de fechamento da fatura.

Castro reforça esse ponto ao comparar que, no cartão multimoeda de débito, o câmbio é fixado no momento da remessa de recursos.

“Do ponto de vista de planejamento financeiro, a previsibilidade no cartão de débito é maior em relação ao cartão de crédito, porque você já trava o câmbio”, explica o planejador.

Além disso, os custos costumam ser mais transparentes. A taxa aparece embutida na cotação exibida no aplicativo. Em contrapartida, não há parcelamento e, em muitos casos, os programas de recompensas são mais limitados.

Segundo dados internos da plataforma belo, a previsibilidade e a redução de taxas podem gerar economia entre 5% e 12% no custo total da viagem, o equivalente a até R$ 1.200 em um orçamento de R$ 10 mil.

Comprar dólar aos poucos faz sentido?

Para quem já tem data de viagem marcada, a estratégia de compra fracionada é amplamente recomendada. Diego Endrigo defende o chamado câmbio médio. “Ao distribuir as compras ao longo do tempo, o viajante evita concentrar toda a exposição em um único momento de alta do dólar“, afirma.

Entre as estratégias práticas estão:

Compra programada mensal;
Definição de metas de valor a acumular;
Acompanhamento do cenário macroeconômico;
Uso combinado de conta global e investimentos atrelados ao dólar.
O foco, segundo ele, não deve ser prever o câmbio, mas reduzir a volatilidade média da exposição. Com informações do portal Estadão.

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