Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026

Com Maduro no poder, Venezuela enviou ouro no valor de 5,2 bilhões de dólares à Suíça

A Venezuela enviou cerca de US$ 5,2 bilhões (quase R$ 28 bilhões) em ouro para a Suíça nos primeiros anos do regime de Nicolás Maduro, revelou a agência de notícias Reuters nessa terça-feira (6), com base em dados alfandegários. Ao menos 113 toneladas métricas do metal nobre foram transferidos do banco central da Venezuela para o país entre 2013, quando Maduro assumiu o poder, e 2016.

Não houve exportações de ouro da Venezuela para a Suíça a partir de 2017, quando a União Europeia (UE) impôs sanções contra a nação caribenha. O ouro, vindo das reservas da Venezuela, foi transferido para Berna com o objetivo de ser processado, certificado e transportado no futuro, segundo a emissora suíça SRF.

A informação foi divulgada após a Suíça congelar todos os bens de Maduro e de outros 36 pessoas ligadas ao agora presidente deposto da Venezuela. Em comunicado, o governo local informou que a medida busca impedir que os ativos supostamente obtidos de maneira ilegal sejam transferidos para outras contas no exterior. O congelamento entrou em vigor de imediato e tem validade de quatro anos.

No sábado (3), quando Maduro foi preso após uma operação dos Estados Unidos na Venezuela, o Ministério das Relações Exteriores da Suíça apelou “à desescalada, à contenção e ao respeito pelo direito internacional, incluindo a proibição do uso da força e o princípio do respeito pela integridade territorial”. O venezuelano e a primeira-dama Cilia Flores foram levados pelas forças americanas para serem julgados por supostos crimes relacionados a narcoterrorismo no tribunal de Nova York.

Prisão e acusações

Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos na madrugada de sábado. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Os dois estão presos no Brooklyn e alegam inocência.

Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e líder do Tren de Aragua.

Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, o papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime para a Venezuela.

“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.

O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrorismo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro. (Com informações do portal da revista Veja)

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