Terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de abril de 2023
Cerca de 3% da população brasileira mantém suas economias “debaixo do colchão”, revela pesquisa Anbima em parceria com o Datafolha. Na média, em comparação ao ano anterior, o número de pessoas que relataram deixar as reservas escondidas em casa aumentou ligeiramente, em 1 ponto porcentual.
O principal destaque ficou com a classe C, cuja fatia subiu de 2% para 4%. Os dados foram colhidos entre 9 e 29 de novembro de 2022, por meio de entrevistas com 5.818 indivíduos, das classes A/B, C, D/E, de 16 anos ou mais, das cinco regiões do País.
Marcelo Billi, superintendente de educação da Anbima, afirma que ainda há uma parcela grande de integrantes das classes C, D e E que possui um “distanciamento” do mercado financeiro. “Muitas destas pessoas foram bancarizadas recentemente, principalmente nos últimos três anos, com o pagamento do auxílio emergencial. Tem uma proporção grande desta população que não se familiarizou com instrumentos bancários”, afirma.
Temores
O medo e a dificuldade de compreender os instrumentos financeiros foram alguns dos fatores que levaram Sonia Maria de Souza, de 57 anos, a nunca abrir uma conta em um banco. Ela começou a trabalhar aos 11 anos como diarista, profissão que manteve pela maior parte da vida, mas nunca teve a carteira assinada e sempre recebeu em espécie. E, geralmente, por dia trabalhado. “Eu guardo um pouco em casa, quando sobra. Na verdade, não gosto muito de ir em banco, sabe?” A diarista ressalta que gostaria de entender como funciona uma conta em um banco digital, mas não entende tanto da tecnologia e fica receosa de pedir ajuda.
“Para essa parcela da população, principalmente na classe C, é tão difícil conseguir fazer sobrar dinheiro, que, quando isso acontece, as pessoas não sabem o que fazer com aquela sobra. Elas têm medo e não confiam nos bancos, no governo ou em assessores”, afirma Ariane Benedito, economista especialista em mercado de capitais.
Aplicações
A questão é que a inflação ao longo do tempo desvaloriza o dinheiro guardado debaixo do colchão. Para especialistas, não importa se a reserva é pequena. Mesmo assim, deve se investir.
Eduardo Medeiros, especialista da Ágora Investimentos, recomenda alguns investimentos conservadores e mais simples, que podem ajudar a manter o poder de compra das economias, como ativos atrelados ao juros ou inflação.
É o caso dos títulos públicos, que são papéis de dívidas do governo, considerados os investimentos mais seguros do mercado, e Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), papéis emitidos por bancos
De acordo com levantamento feito por Einar Rivero, head comercial do TradeMap, quem investiu em ativos atrelada ao CDI, taxa próxima da Selic, nos últimos 28 anos não só conseguiu manter o poder de compra, mas ganhou 574,68% acima da inflação.
Na seara de títulos públicos, a opção mais líquida e conservadora é o Tesouro Selic, papel atrelado a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Por meio de aplicativos do Tesouro Direto e de corretoras, o investidor pode acessar esse investimento. A aplicação em CDBs também pode ser feita através de apps de corretoras.