Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Com o mercado de telefonia estagnado, as operadoras de telefonia começam a vender produtos eletrônicos, acesso a streaming, planos de saúde e até cursos para reforçar o caixa

A transformação das operadoras de telefonia foi completa em 25 anos desde a privatização do setor, completados em julho passado. De empresas que prestavam basicamente serviços de voz, elas evoluíram para companhias de conexão pela internet e, então, para ofertas mais gerais de tecnologia, tanto para clientes finais quanto para negócios. Um novo passo está sendo dado agora com as três grandes operadoras restantes, Vivo, TIM e Claro, vendendo produtos que, à primeira vista, têm muito pouco a ver com os seus negócios originais.

O cliente que entrar numa loja da TIM, por exemplo, vai encontrar TVs, notebooks e até videogames, negociados com descontos apenas para os titulares de planos da operadora. Essa oferta seria surpreendente há poucos anos. Agora, parece uma extensão normal dos negócios de grandes empresas que possuem dezenas de milhões de clientes, mas que atuam num setor já bastante maduro e com pouco espaço para crescimento.

Entre as ofertas atuais no mercado, estão também planos de saúde, cursos educacionais e acesso a streamings, além de serviços de armazenamento em nuvem e pacote Office de software para empresas. Tudo isso integrado numa conta só, facilitando a venda e a cobrança, por parte das operadoras, e o pagamento, pelo cliente.

Por trás desse cenário, existe um esforço para continuar movimentando um mercado bilionário e que atinge quase toda a população, mas que possui atualmente pouquíssimas oportunidades de crescimento, mesmo depois dos fortes investimentos das empresas para instalar as redes de 5G no Brasil.

Segundo dados da consultoria Teleco, o número de linhas celulares no País caiu, em um ano, até setembro, 7,8%. Em setembro do ano passado, existiam 261 milhões de acessos, número que está agora em 253 milhões. Ainda assim, são cerca de 50 milhões de linhas a mais do que o número de habitantes, o que dificulta a expansão dos negócios.

Em acessos de banda larga, houve um crescimento de 8,4% em um ano, de 44,2 milhões para 47,9 milhões de conexões. Já nas linhas de telefonia fixa, a queda foi de 6,5%, para 25,9 milhões de números.

Considerando a receita líquida com esses serviços, fica clara a dificuldade de crescimento para as empresas. Em telefonia fixa, houve em um ano queda de 6,8%, para R$ 3 bilhões combinados, considerando dados até o segundo trimestre deste ano. Com banda larga, a expansão foi de 10,8%, para R$ 14,8 bilhões.

Na telefonia móvel, se não há mais muitos habitantes sem acesso no País, o grande desafio é aumentar a receita média mensal por usuário. Ela subiu de R$ 24,10, no terceiro trimestre de 2022, para R$ 27,50, no mesmo período deste ano.

Mercado estagnado

Para continuar crescendo em meio a um mercado de telefonia estagnado, a oferta de serviços alternativos surge como a grande opção das operadores. A Vivo, por exemplo, conseguiu gerar receita extra de R$ 144 milhões no terceiro trimestre deste ano. O valor pode não ser ainda muito significativo frente aos seus maiores negócios, mas representa uma expansão anual da rubrica de 33% – número impensável para suas ofertas principais.

As operadoras utilizam o ponto mais forte do seu negócio, a escala, para oferecer esses serviços e atrair parcerias com empresas de outras áreas, como Netflix e Spotify. Já são 2,8 milhões de assinantes de plataformas de conteúdo conseguidos por meio da operadora.

Já a Casa Vivo, lançada em maio em São Paulo, vende, além de smartphones, notebooks, acessórios para aparelhos celulares e dispositivos para casa inteligente. A receita com esses eletrônicos, excluindo smartphones, foi de R$ 79 milhões no terceiro trimestre, alta de 28% em relação ao mesmo período de 2022.

“Esse posicionamento estratégico está calcado em ativos muito fortes, entre eles, a força da nossa marca, o tamanho da nossa base de clientes, com 112 milhões de acessos, a capilaridade de nossos canais de distribuição, nossa capacidade de fazer a cobrança de outros serviços na fatura e nossa força de vendas”, afirma o vice-presidente de negócios da Vivo, Alex Salgado.

A Vivo tem atuado em outros segmentos. No de saúde e bem-estar, o app de meditação Atma registra 3 milhões de downloads. Já a Vale Saúde, startup adquirida pela Vivo em março deste ano por R$ 60 milhões, permite mediante o pagamento de assinatura mensal descontos para a realização de exames, consultas e vacinas.

Em educação, a empresa atua por meio da Vivae, uma plataforma de cursos livres e de curta duração, com foco em empregabilidade e que dá acesso a vagas de emprego. O negócio surgiu a partir de joint venture criada com a Ânima Educação.

A TIM também atua, desde o início do ano, no setor de saúde em parceira com o grupo Cartão de Todos, uma rede com mais de 400 clínicas pelo Brasil. O projeto-piloto, ativo no Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, permite ao cliente da operadora ganhar consultas em telemedicina e descontos de até 80% em medicamentos. Já em educação, ela atua em parceria com a plataforma Descomplica para oferecer cursos para o Enem.

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